EXIGÊNCIA DE EXONERAÇÃO DA COORDENADORA PROVINCIAL APROFUNDA CRISE NO ANAMOLA NA ZAMBÉZIA
Quelimane — O Partido ANAMOLA atravessa uma das mais sérias crises internas na província da Zambézia, marcada por divisões profundas entre os seus membros e por uma crescente contestação à liderança provincial. No epicentro do conflito está a exigência de exoneração da actual coordenadora provincial, acusada de conduzir o partido de forma autoritária e à margem das estruturas de base.
Segundo fontes locais consideradas fidedignas, membros provenientes de vários distritos da província deslocaram-se, nos últimos dias, à sede do Comité Provincial do partido, em Quelimane, com um posicionamento claro e concertado: a saída imediata da dirigente. Os contestatários alegam usurpação de funções, decisões unilaterais e reiterada violação dos princípios internos de consulta e colegialidade.
De acordo com os mesmos interlocutores, a coordenadora provincial tem tomado decisões estratégicas sem ouvir os órgãos intermédios nem as bases distritais, prática que, dizem, contraria os estatutos e o espírito fundador do partido. “O partido não pode ser gerido como propriedade privada. Há regras, há órgãos e há militantes que devem ser ouvidos”, afirmou à nossa reportagem um membro sénior do ANAMOLA na Zambézia, que pediu anonimato por receio de represálias.

Os descontentes denunciam ainda que a actual direcção provincial beneficia apenas um núcleo restrito, acusado de concentrar poder e oportunidades, deixando à margem quadros históricos e militantes activos. Esta alegada exclusão tem gerado um ambiente de desconfiança e frustração, colocando em risco a coesão interna e a capacidade de mobilização do partido na província.
Contactadas pela reportagem, fontes próximas do Comité Provincial confirmaram a existência de tensões internas, mas escusaram-se a comentar, para já, a possibilidade de exoneração da coordenadora. Entretanto, sabe-se que o assunto já foi remetido às instâncias superiores do partido, que deverão pronunciar-se nos próximos dias.
Analistas políticos ouvidos em Quelimane consideram que, se não for gerida com rapidez e transparência, a crise poderá enfraquecer seriamente o ANAMOLA na Zambézia, sobretudo num contexto político em que a disciplina interna e a proximidade com as bases são decisivas. “Ou o partido corrige o rumo agora, ou paga a factura mais à frente”, resumiu um observador local.