ÁGUAS ESTAGNADAS E ESVERDEADAS AGRAVAM CRISE SANITÁRIA NO BAIRRO SÃO DÂMASO, NA MATOLA
A situação sanitária no bairro São Dâmaso, no município da Matola, continua a deteriorar-se, apesar da paralisação das chuvas que, nas últimas semanas, provocaram inundações em diversas zonas residenciais. As águas que permanecem acumuladas nas ruas, quintais e no interior de várias habitações apresentam actualmente coloração esverdeada e um odor nauseabundo, circunstância que está a comprometer seriamente as condições de vida das famílias afectadas.
Constatações feitas no local indicam que vários arruamentos permanecem submersos, dificultando a circulação de pessoas e bens. Algumas famílias optaram por abandonar temporariamente as suas residências, procurando abrigo junto de parentes e conhecidos em zonas mais seguras. Entretanto, um número considerável de agregados familiares continua no bairro por falta de alternativas financeiras, convivendo diariamente com águas contaminadas e resíduos sólidos espalhados pelo ambiente.
Moradores ouvidos no local referem que a estagnação das águas tem provocado a proliferação de mosquitos e outros vectores transmissores de doenças. Segundo os residentes, a presença constante de insectos e o contacto directo com a água suja aumentam o receio de surtos de malária, diarreias e outras enfermidades de origem hídrica, sobretudo entre crianças e idosos, considerados grupos mais vulneráveis.

Fontes ligadas ao sector da saúde, ao nível local, confirmaram o registo de casos de enfermidades associadas à insalubridade, com pacientes provenientes da zona a procurarem assistência em unidades sanitárias da Matola. Profissionais de saúde alertam que a permanência prolongada das águas contaminadas constitui um factor de risco elevado para o surgimento de doenças de transmissão hídrica e apelam ao reforço das medidas preventivas, incluindo o consumo de água tratada, o uso de redes mosquiteiras e a observância de práticas básicas de higiene.
Entretanto, os residentes afirmam ter submetido várias solicitações ao Conselho Municipal da Matola, pedindo a sucção das águas acumuladas, limpeza das vias de drenagem e abertura de novas valetas para facilitar o escoamento. Contudo, segundo relatam, até ao momento não houve intervenção efectiva que permita minimizar os impactos da situação.
Contactadas, fontes municipais reconhecem a existência de pontos críticos de inundação no bairro São Dâmaso e explicam que as dificuldades de drenagem resultam, em parte, da ocupação desordenada do solo e do entupimento de canais naturais por resíduos sólidos. A edilidade assegura que equipas técnicas estão a efectuar levantamentos para identificar soluções estruturais e de emergência, incluindo a mobilização de meios para a remoção das águas estagnadas.
Por seu turno, especialistas em gestão de risco e drenagem urbana defendem que a recorrência de inundações em zonas suburbanas da Matola demonstra a necessidade de investimentos sustentáveis em infra-estruturas de drenagem pluvial, ordenamento territorial e sensibilização comunitária para evitar o depósito indevido de lixo em valas e canais.
Enquanto se aguardam intervenções concretas, as famílias afectadas continuam a enfrentar um quotidiano marcado por incertezas, prejuízos materiais e riscos à saúde pública, numa altura em que líderes comunitários apelam à acção urgente das autoridades e à solidariedade de organizações humanitárias para assistir as populações mais vulneráveis.