CHAPO DISCUTE OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO ENERGÉTICO COM PRESIDENTE DA SHELL BRASIL
Moçambique voltou a colocar o seu potencial energético no centro da agenda internacional. No domingo, 19 de Setembro, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, manteve, no Rio de Janeiro, um encontro de trabalho com o Presidente da Shell Brasil, João dos Santos Rosa, à margem da participação do Chefe do Estado no Fórum Petróleo e Gás 2026, conhecido como ROG.e.
A reunião colocou à mesma mesa o Governo moçambicano e uma das principais empresas internacionais com presença no sector de petróleo e gás no Brasil, num momento em que Moçambique procura transformar os seus recursos energéticos em investimento, desenvolvimento de competências e maior integração na economia nacional.
Segundo o jornal O País, o encontro entre Daniel Chapo e João dos Santos Rosa serviu para discutir oportunidades de investimento no sector energético moçambicano, cooperação entre Moçambique e Brasil, partilha de experiências na exploração de petróleo e gás e capacitação de quadros nacionais.
A mesma informação foi avançada pelo Repórter Nacional, que acrescenta que as conversações incluíram o desenvolvimento de competências técnicas e a possibilidade de reforçar acções de cooperação entre as duas partes.
Um encontro num sector estratégico
O encontro acontece numa altura em que o sector energético continua a ocupar uma posição importante na estratégia económica de Moçambique, particularmente devido às reservas de gás natural e ao potencial de desenvolvimento da cadeia de valor associada aos hidrocarbonetos.
Para o Governo moçambicano, a questão já não passa apenas por encontrar recursos no subsolo ou no mar. O desafio inclui atrair investimento, desenvolver capacidades nacionais e criar condições para que o conhecimento e a tecnologia associados à indústria possam produzir efeitos mais amplos na economia.
É neste quadro que a conversa com a Shell Brasil ganha significado.
A empresa possui uma presença consolidada no sector brasileiro de petróleo e gás. De acordo com a própria companhia, a Shell está presente no Brasil desde 1913 e desenvolve actividades de exploração e produção, incluindo operações em águas profundas e ultraprofundas.
Actualmente, a Shell Brasil afirma possuir mais de 65 contratos de exploração e produção no país e uma produção média superior a 400 mil barris equivalentes de petróleo por dia.
Quem é João Santos Rosa?
O interlocutor de Daniel Chapo é relativamente novo na liderança da operação brasileira da Shell, mas possui uma longa trajectória dentro da companhia.
João Santos Rosa assumiu a presidência da Shell Brasil em 1 de Agosto de 2026, depois de anteriormente exercer funções de presidente da Shell em Itália.
Segundo a própria Shell, Santos Rosa nasceu em Portugal e possui mais de 20 anos de experiência no sector energético. Entrou na companhia em 2002 e desempenhou funções no Reino Unido, Austrália, Países Baixos e Estados Unidos, com experiência nas áreas de Upstream, Trading, estratégia, marketing e desenvolvimento de novos negócios.
A sua chegada à liderança da Shell Brasil acontece num período de expansão e reorganização do portefólio da empresa.
No início de Setembro, a companhia anunciou, por exemplo, um acordo para adquirir à BP uma participação de 50% no bloco exploratório Tupinambá, situado na Bacia de Santos. O negócio está sujeito às aprovações regulatórias aplicáveis, sendo a BP a operadora prevista para continuar a conduzir as operações após a conclusão.
Brasil como espaço de aprendizagem
O Brasil apresenta uma experiência particularmente relevante para países produtores ou com grandes perspectivas no sector dos hidrocarbonetos.
A Shell desenvolveu no país uma forte presença na exploração de petróleo e gás em águas profundas, sobretudo nas bacias de Santos e Campos. A companhia identifica o Brasil como um dos seus principais polos globais de exploração e produção.
É justamente esse conhecimento que pode interessar a Moçambique.
As informações divulgadas sobre o encontro indicam que a partilha de experiências e a capacitação de quadros moçambicanos estiveram entre os assuntos abordados.
Isto coloca a cooperação para além da simples procura de capital.
A transferência de conhecimento técnico, a formação de profissionais, o desenvolvimento de competências nacionais e a partilha de experiências na exploração de petróleo e gás podem constituir componentes importantes de uma eventual cooperação mais ampla entre Moçambique e empresas com experiência internacional.
Chapo e a diplomacia energética
A audiência com João Santos Rosa fez parte de uma agenda mais ampla do Presidente Daniel Chapo no Rio de Janeiro.
À margem do Fórum Petróleo e Gás 2026, o Chefe do Estado manteve também um encontro com o Presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro do Petróleo, Roberto Ardenghy.
Segundo as informações divulgadas pela imprensa moçambicana, as duas reuniões tiveram como eixo comum a procura de oportunidades de investimento e o reforço da cooperação no sector energético.
A participação de Chapo no ROG.e ocorre num evento que reúne representantes da indústria energética para discutir petróleo, gás, transição energética, inovação, descarbonização e novas oportunidades de negócio.
A Empresa de Pesquisa Energética do Brasil informou que a edição de 2026 decorre de 21 a 24 de Setembro, no Riocentro, no Rio de Janeiro, reunindo actores do sector energético internacional.
O Presidente moçambicano participa no evento como principal orador, colocando o país num espaço onde se encontram empresas, investidores, especialistas e instituições ligadas ao sector energético.
Da reserva de gás ao desafio do desenvolvimento
A presença de Moçambique neste tipo de fórum ocorre num momento em que o país procura projectar internacionalmente as oportunidades existentes no seu sector energético.
Mas entre possuir recursos e transformar esses recursos em desenvolvimento existe uma longa cadeia de decisões: investimento, infra-estruturas, tecnologia, formação, legislação, segurança, participação empresarial nacional e capacidade de transformar a actividade extractiva em benefícios económicos mais abrangentes.
É nesse ponto que encontros como o realizado entre Daniel Chapo e João Santos Rosa ganham importância.
Não foi anunciado, nas fontes consultadas, um novo contrato de exploração ou produção entre Moçambique e a Shell como resultado directo da audiência. O que foi divulgado foram conversações sobre oportunidades de investimento, cooperação, partilha de experiências e capacitação.
A distinção é importante.
Uma audiência pode abrir portas, estabelecer contactos e identificar áreas de cooperação. Um investimento, por sua vez, exige estudos, negociações, decisões empresariais e aprovações próprias.
Por enquanto, o que fica deste encontro é a aproximação entre Maputo e uma empresa com forte experiência internacional no sector de petróleo e gás.
E, num país que procura transformar o seu potencial energético em desenvolvimento económico, a questão que permanece é precisamente essa: como converter interesse empresarial e cooperação técnica em investimentos concretos, competências nacionais e benefícios duradouros para Moçambique?