UP sensibiliza comunidade académica sobre segurança cibernética em Maputo

Cerca de 100 estudantes, docentes, investigadores e membros do corpo técnico-administrativo da Universidade Pedagógica (UP) participaram, na terça-feira, 13 de Outubro, numa palestra sobre o panorama actual da cibersegurança, realizada no âmbito do Mês de Consciencialização sobre Segurança Cibernética.
A palestra foi ministrada por Eugénio Jeremias, director da Divisão de Segurança Cibernética e Protecção de Dados, com o objectivo de sensibilizar a comunidade académica para a adopção de boas práticas no espaço digital e reforçar a capacidade de prevenção de crimes cibernéticos.
Durante a sessão, foram abordadas as principais ameaças e tendências emergentes no domínio da segurança cibernética, com destaque para a necessidade de combinar conhecimentos tecnológicos, humanos e estratégicos na investigação e prevenção de incidentes digitais.

Segundo Eugénio Jeremias, esta área exige a cooperação entre universidades, instituições de investigação, autoridades públicas e empresas. O responsável destacou cinco vertentes fundamentais: segurança de redes e software, segurança dos sistemas de informação, protecção de infra-estruturas críticas, perspectiva humana e defesa cibernética.
No âmbito da Estratégia Nacional de Segurança Cibernética 2026–2030, o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) prevê, no pilar de desenvolvimento de capacidades, pesquisa e inovação, a aprovação do Quadro Nacional de Competências, a integração progressiva da segurança cibernética nos currículos do ensino geral, técnico-profissional e superior, bem como a criação de academias, centros de excelência e laboratórios especializados.
A estratégia contempla igualmente a formação contínua de funcionários públicos e dirigentes, a capacitação dos órgãos de investigação criminal, magistrados e reguladores, além da operacionalização da ciberdiplomacia e da promoção de soluções nacionais para responder às ameaças emergentes.
No pilar da cultura de segurança, estão previstas a criação do Centro Nacional de Internet Segura, a realização permanente de campanhas de consciencialização e a promoção da literacia e higiene cibernéticas. O documento prevê ainda programas específicos de protecção de crianças, jovens, mulheres, pessoas com deficiência e comunidades rurais.
Educação digital para todos

Na vertente educativa, o INTIC defende que os cidadãos devem desenvolver competências para proteger as suas contas, dispositivos e dados pessoais, bem como reconhecer e prevenir fraudes digitais.
No ensino básico, a prioridade passa por ajudar crianças e jovens a identificar os riscos associados à utilização da Internet. Por sua vez, os graduados de diferentes áreas profissionais devem utilizar as tecnologias de forma segura, ética e responsável, enquanto os profissionais de tecnologias de informação devem desenvolver e gerir sistemas e redes com mecanismos adequados de protecção.
A estratégia prevê também a oferta de cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento na área da segurança cibernética, bem como a promoção de oportunidades de aprendizagem inclusivas para adultos, pessoas com deficiência e comunidades rurais, através de conteúdos adaptados às suas necessidades.
A celebração do Mês de Consciencialização sobre Segurança Cibernética decorre sob o lema “Por um Moçambique Digital Seguro, Resiliente e Confiável”, procurando mobilizar crianças, jovens, mulheres e a população em geral para uma utilização mais consciente e segura das tecnologias digitais.

No âmbito das actividades comemorativas, estão previstas palestras, webinários e debates em instituições públicas, incluindo acções de divulgação da Lei n.º 13/2026, relativa à segurança cibernética, e da Lei n.º 14/2026, sobre crimes cibernéticos. Estão igualmente previstas acções de capacitação sobre prevenção de ransomware e promoção da literacia digital.
Moçambique associa-se anualmente à mobilização internacional em torno da consciencialização sobre segurança cibernética, numa iniciativa que procura envolver cidadãos e instituições públicas e privadas na protecção do ambiente digital.
A iniciativa reforça a importância da educação contínua nesta matéria, tendo em conta que a segurança cibernética exige competências aplicáveis em todos os níveis de ensino e ao longo da vida.