O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, exortou ao término da exploração predatória dos recursos naturais africanos, defendendo que as riquezas do continente devem beneficiar, em primeiro lugar, os próprios povos africanos. O pronunciamento foi feito durante a 39.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), realizada na capital etíope.
Leia mais: António Guterres apela ao fim da exploração dos recursos africanos durante Cimeira da União AfricanaDurante a sua intervenção, Guterres denunciou o que classificou como uma injustiça histórica e estrutural, afirmando que é inaceitável que África continue a perder ganhos provenientes dos seus recursos naturais, enquanto enfrenta graves desafios económicos e sociais. O dirigente sublinhou que “os povos de África devem beneficiar dos recursos de África”, apelando a uma mudança profunda no modelo económico vigente e à criação de cadeias de valor justas e sustentáveis no continente.
O chefe da ONU salientou que a exploração e o desvio de riquezas africanas ocorrem, frequentemente, através de fluxos financeiros ilícitos, evasão fiscal e sistemas económicos internacionais considerados desiguais. Segundo Guterres, estes mecanismos têm impedido o desenvolvimento sustentável de vários países africanos e agravado o peso da dívida pública, comprometendo investimentos em sectores essenciais, como educação, saúde e infra-estruturas.
Neste contexto, defendeu uma reforma abrangente da arquitectura financeira global, incluindo o reforço do poder de financiamento dos bancos multilaterais de desenvolvimento, bem como a redução dos custos de empréstimos para as economias africanas. O responsável advertiu que alguns países do continente pagam até oito vezes mais juros do que nações desenvolvidas, facto que limita a capacidade de crescimento económico.
Outro ponto central do discurso incidiu sobre os minerais críticos e o potencial energético africano, considerados essenciais para a transição global para energias limpas. Guterres destacou que o continente possui cerca de 60% do melhor potencial solar do mundo, mas recebe apenas uma pequena parcela do investimento global em energias renováveis.
O dirigente defendeu que os países africanos devem avançar para a industrialização e transformação local dos seus recursos, ultrapassando o modelo tradicional baseado apenas na exportação de matérias-primas. Esta estratégia, segundo afirmou, poderá gerar emprego, aumentar receitas internas e promover o desenvolvimento inclusivo.
A 39.ª Cimeira da União Africana reuniu líderes políticos, diplomatas e representantes de organizações internacionais para debater questões prioritárias para o continente. Entre os temas dominantes estiveram a segurança regional, o financiamento do desenvolvimento e o reforço da integração económica africana.
O encontro decorreu sob o lema de assegurar a disponibilidade sustentável da água e sistemas seguros de saneamento, considerados pilares para o crescimento económico e para a estabilidade social, numa altura em que milhões de africanos continuam sem acesso a água potável e serviços básicos de higiene.
Além das questões económicas, os participantes discutiram conflitos armados em várias regiões do continente e apelaram a soluções políticas lideradas por africanos, com apoio da comunidade internacional.
No âmbito das reformas institucionais globais, Guterres reiterou a necessidade de reforçar a representatividade africana nos organismos internacionais, defendendo que o continente deve ter uma voz efectiva nos processos de decisão mundial. Para o líder da ONU, a actual estrutura de governação internacional não reflecte a realidade contemporânea, sendo urgente adequá-la aos desafios do século XXI.
O apelo do Secretário-Geral da ONU surge num momento em que vários países africanos procuram reposicionar-se na economia global, apostando na industrialização, na diversificação económica e na valorização dos recursos naturais. Especialistas consideram que a implementação de políticas de gestão sustentável dos recursos poderá representar uma oportunidade estratégica para acelerar o desenvolvimento e reduzir a dependência externa.
A intervenção de António Guterres reforça o debate sobre soberania económica africana e sobre a necessidade de parcerias internacionais mais equilibradas, num cenário global marcado por mudanças climáticas, transformações tecnológicas e crescente competição por recursos estratégicos.
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