Matutuíne vive dias de tensão extrema. O distrito, na província de Maputo, mergulhou num clima de medo e revolta na sequência de confrontos violentos entre a população local e as autoridades, despoletados pelo adiamento de uma reunião comunitária destinada a esclarecer a morte, a tiro, de um homem acusado de caça furtiva no Parque Nacional de Maputo, ocorrida em Dezembro último.
O encontro, aguardado com elevada expectativa pela comunidade, tinha como objectivo prestar esclarecimentos oficiais sobre as circunstâncias da morte do suposto caçador furtivo, abatido por agentes envolvidos na fiscalização do parque. O adiamento inesperado da reunião foi encarado pela população como falta de respeito e tentativa de encobrimento dos factos, o que fez subir a temperatura social em poucas horas.
De acordo com informações recolhidas pela equipa de reportagem da Miramar, a resposta das autoridades ao levantamento popular foi marcada por uso excessivo da força. Durante a actuação policial, uma criança de nove anos de idade e um jovem foram baleados. Testemunhas relatam que a criança foi atingida enquanto se encontrava na oficina do seu progenitor, sem qualquer envolvimento nos protestos, tendo sido alegadamente abandonada no local após o disparo, situação que gerou forte indignação entre os residentes.
Em reacção, populares bloquearam a estrada principal que atravessa a vila distrital, utilizando troncos e outros obstáculos, e incendiaram o edifício da Secretaria Administrativa local, símbolo da presença do Estado na região. O cenário rapidamente degenerou para uma situação de confronto aberto.
Perante a escalada da violência, a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) foi destacada para Matutuíne com o objectivo de repor a ordem pública. A intervenção ficou marcada pelo disparo de gás lacrimogénio e, segundo relatos locais, pela utilização de munições reais contra aglomerados de cidadãos, muitos dos quais desarmados.
A Polícia da República de Moçambique (PRM), ao nível da província de Maputo, confirmou os distúrbios e avançou que, na sequência dos actos de vandalização de infra-estruturas públicas e do levantamento popular, sete indivíduos foram detidos e encontram-se sob custódia policial, para averiguação das suas responsabilidades criminais.
Até ao momento, não há informações oficiais detalhadas sobre o estado clínico das vítimas baleadas, nem sobre a nova data para a realização da reunião comunitária que esteve na origem dos confrontos. A população exige respostas claras, responsabilização dos envolvidos e garantias de que episódios semelhantes não voltarão a ocorrer.
Matutuíne permanece sob forte presença policial, com a circulação condicionada em alguns pontos, num ambiente pesado, onde a confiança entre a comunidade e as autoridades parece, mais uma vez, profundamente abalada. Aqui não há floreados: quando o diálogo falha, a rua fala — e fala alto.
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