GOVERNO SUSPENDE TEMPORARIAMENTE A CIRCULAÇÃO RODOVIÁRIA ENTRE MAPUTO E XAI-XAI PARA DAR RESPOSTA À DESTRUIÇÃO DA EN1
O Governo de Moçambique decidiu suspender a circulação de viaturas nos troços críticos da Estrada Nacional 1 (EN1) entre a Província de Maputo e a cidade de Xai-Xai, na Província de Gaza, devido ao galgamento das águas e à inundação de vastas secções da via principal que liga a zona sul do país. A medida, segundo comunicado oficial do Ministério dos Transportes e Logística, visa reduzir a aglomeração de veículos nos pontos mais perigosos e proteger vidas e bens enquanto a situação hidrológica se mantém crítica.
Moçambique enfrenta uma das mais graves crises de cheias dos últimos anos, provocada por chuvas torrenciais persistentes desde Dezembro de 2025 e agravadas pelo escoamento de água proveniente das bacias de rios internacionais. As inundações têm afectado de forma severa as províncias de Maputo, Gaza, Inhambane e Sofala, com vastas áreas agrícolas, infra-estruturas e comunidades submersas.
Autoridades nacionais elevaram o estado de alerta para alerta vermelho em todo o país, sinalizando o máximo nível de emergência devido ao aumento dos níveis dos rios, enxurradas e contexto meteorológico desfavorável. A água abriu brechas em troços extensos da EN1, comprometendo a circulação rodoviária, criação de filas, atolamentos e risco de acidentes, o que motivou a decisão de limitar o tráfego de todos os tipos de viaturas. As autoridades enfatizam que a medida é temporária e visa proteger os cidadãos até que as condições melhorem.

As autoridades e organismos humanitários apontam para um quadro de destruição e sofrimento:
Mais de 500 000 pessoas afectadas em todo o país pelas cheias, incluindo deslocados, famílias isoladas e comunidades sem acesso aos meios normais de vida.
Registos oficiais indicam que o número de mortos atribuídos às chuvas e inundações já ultrapassa uma centena na região do sul de África, incluindo Moçambique, onde acredita-se que os números efectivos possam ser superiores aos inicialmente reportados pelas autoridades locais.
Em Gaza, as águas submergiram vastas áreas urbanas e peri-urbanas, forçando a evacuação de centenas de milhares de pessoas e obrigando muitas famílias a refugiarem-se em centros temporários de acolhimento.

O serviço de electricidade foi severamente afectado, com mais de 112 000 consumidores sem fornecimento, devido a postes e linhas de transmissão danificadas pela inundação.
As cheias têm comprometido a agricultura, latifúndios e cadeias logísticas, com milhares de hectares de cultivo inundados e estradas regionais cortadas, incluindo a EN1, que é a espinha dorsal do transporte no sul do país. A destruição de infra-estruturas agrava ainda mais a insegurança alimentar e dificulta a entrega de assistência humanitária.
O Executivo moçambicano intensificou operações de resgate, evacuação e assistência às vítimas, em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e parceiros internacionais. O alerta vermelho activo implica acções obrigatórias de retirada de populações de zonas de risco e mobilização de recursos estatais para mitigar os efeitos das cheias.

O encerramento parcial da EN1 não só visa a segurança rodoviária como também apoiar a organização do tráfego e reduzir o número de pessoas expostas a riscos adicionais em condições de visibilidade e aderência comprometidas pelas águas.
A situação na zona sul continua volátil. O Governo mantém um apelo público à prudência e colaboração, especialmente junto de automobilistas e comunidades ribeirinhas, enquanto equipas técnicas e de emergência continuam a monitorar os níveis dos rios e a evolução climática. A EN1 permanecerá fechada nos troços críticos até que a segurança seja garantida e as condições de circulação restabelecidas.
