Instituto destaca dificuldades de financiamento, certificação e experiência como obstáculos à participação das pequenas e médias empresas na cadeia de fornecimento da indústria do gás.
O Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) defende que as empresas moçambicanas devem reforçar a sua organização, capacidade técnica e estrutura financeira para aproveitarem as oportunidades de negócio geradas pelo desenvolvimento do sector do gás no país.
Durante uma masterclass sobre oportunidades de negócio no sector do gás, uma representante do IPEME explicou que, apesar do potencial de participação das pequenas e médias empresas (PME), muitas continuam a enfrentar dificuldades para cumprir os requisitos exigidos pelas grandes empresas e pelos operadores da indústria.
Entre os principais constrangimentos apontados estão o acesso limitado ao financiamento e às garantias bancárias, a falta de certificações de qualidade e segurança, a insuficiência de registos contabilísticos organizados e a ausência de experiência comprovada na execução de contratos.
A complexidade dos concursos, a concorrência internacional e as barreiras linguísticas foram igualmente identificadas como factores que dificultam a entrada das empresas nacionais nesta cadeia de fornecimento.
Para responder a estes desafios, o IPEME destacou o seu papel no apoio à capacitação empresarial, através de formações em gestão, desenvolvimento de competências técnicas, preparação para certificações, formalização dos negócios e criação de ligações com mercados e instituições financeiras.
A instituição considera que as PME devem investir na organização interna, manter a documentação empresarial actualizada, melhorar os seus registos financeiros e conhecer os requisitos dos concursos antes de apresentarem propostas. A criação de parcerias com empresas já certificadas e a participação em modelos de cooperação empresarial foram também apontadas como formas de reforçar a capacidade de resposta.
A representante sublinhou que a nacionalidade moçambicana, por si só, não garante contratos. Na sua perspectiva, as empresas precisam de demonstrar qualidade, segurança, capacidade de execução e experiência compatível com as exigências dos clientes.
A intervenção destacou ainda a importância de as instituições financeiras criarem soluções ajustadas às necessidades das PME, sobretudo no que respeita ao financiamento do capital circulante e à capacidade de suportar os custos iniciais associados à execução de contratos.
Para o IPEME, o desenvolvimento do conteúdo local deve ser acompanhado por uma preparação efectiva das empresas nacionais. A existência de oportunidades no sector do gás precisa de ser convertida em capacidade empresarial, emprego, geração de riqueza e transferência de conhecimentos.
A instituição manifestou disponibilidade para continuar a trabalhar com o sector privado e outras entidades públicas, com vista à identificação dos principais obstáculos enfrentados pelas PME e à procura de soluções que facilitem a sua participação na cadeia de valor do gás.
A mensagem central da intervenção foi a de que as empresas moçambicanas devem começar a preparar-se desde já, identificando áreas de negócio, reforçando competências e estruturando os seus processos, para que possam competir de forma sustentável num sector que exige elevados padrões de qualidade e organização.
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