MOÇAMBIQUE: 35 ESCOLAS AINDA OCUPADAS COMO ABRIGOS A POUCOS DIAS DO ARRANQUE DO ANO LECTIVO 2026
Pelo menos 35 escolas em diferentes pontos do país continuam a ser utilizadas como centros de acomodação temporária para famílias afectadas pelas inundações, numa altura em que o ano lectivo de 2026 tem início oficial marcado para o próximo dia 27 de Fevereiro.
Leia mais: MOÇAMBIQUE: 35 ESCOLAS AINDA OCUPADAS COMO ABRIGOS A POUCOS DIAS DO ARRANQUE DO ANO LECTIVO 2026A situação resulta das chuvas intensas associadas às mudanças climáticas, que provocaram inundações severas em vários bairros urbanos e zonas periurbanas, deixando milhares de pessoas desalojadas e obrigando as autoridades a recorrerem a estabelecimentos de ensino como solução de emergência para albergar as vítimas.
De acordo com dados avançados por fontes do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a maioria das escolas ainda ocupadas localiza-se em províncias recorrentes a cheias sazonais, com destaque para zonas baixas e ribeirinhas, onde o escoamento das águas continua lento.
Fontes do sector da educação confirmam que esta realidade levanta sérias preocupações quanto ao cumprimento do calendário escolar, sobretudo para milhares de alunos que deveriam iniciar o ano lectivo dentro de dias.
O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) reconhece os constrangimentos e assegura que estão em curso esforços coordenados com as autoridades locais e o INGD para libertar progressivamente as infra-estruturas escolares ainda ocupadas.
Segundo fontes do ministério, decorrem negociações para a transferência das famílias para centros alternativos ou para zonas seguras, permitindo a limpeza, desinfecção e reabilitação das salas de aula antes do início das actividades lectivas.
“O objectivo é garantir que as crianças regressem às aulas no dia 27 de Fevereiro, mas a situação depende da evolução das condições no terreno e da rápida desocupação das escolas ainda usadas como abrigos”, avançou uma fonte ligada ao sector.
Especialistas em ambiente e gestão de riscos sublinham que as cheias registadas este ano voltam a expor a vulnerabilidade de várias comunidades face aos efeitos das mudanças climáticas. Chuvas mais intensas e concentradas em curtos períodos têm provocado transbordo de rios, destruição de habitações precárias e deslocação forçada de famílias inteiras.
Bairros inteiros ficaram submersos, obrigando crianças, idosos e mulheres grávidas a procurarem refúgio em escolas, igrejas e outros edifícios públicos, muitos dos quais não estão preparados para acolhimento prolongado.
Organizações da sociedade civil alertam que a permanência prolongada de deslocados em escolas compromete não só o direito à educação, mas também as condições de higiene e segurança, tanto para os desalojados como para a comunidade escolar.
As autoridades apelam à compreensão das comunidades afectadas, garantindo que soluções mais duradouras estão a ser trabalhadas. Entre as medidas em curso constam a montagem de centros de reassentamento temporário, apoio alimentar e aceleração dos programas de reconstrução de habitações destruídas.
Por seu turno, pais e encarregados de educação manifestam preocupação com a incerteza em torno do início efectivo das aulas, temendo atrasos no cumprimento do plano curricular e prejuízos no aproveitamento pedagógico dos alunos.
“O país já enfrenta desafios enormes na educação. Cada dia sem aulas pesa no futuro das crianças”, lamentou um encarregado de educação numa das zonas afectadas.
Com o arranque do ano lectivo cada vez mais próximo, o Governo enfrenta o desafio de equilibrar a resposta humanitária às vítimas das inundações e a necessidade de garantir o normal funcionamento das escolas.
Analistas consideram que a situação exige soluções estruturais, incluindo o planeamento urbano adequado, construção de infra-estruturas resilientes às cheias e maior investimento em prevenção de desastres, sob pena de o país continuar a repetir o mesmo cenário a cada época chuvosa.
Enquanto isso, milhares de alunos aguardam com expectativa e incerteza o regresso às aulas, numa realidade que volta a expor o impacto directo das mudanças climáticas no direito à educação em Moçambique.