2 de março de 2026

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MORREU ROSITA PEDRO, MENINA NASCIDA EM CIMA DE UMA ÁRVORE DURANTE AS CHEIAS DE 2000 EM CHIBUTO

Faleceu na madrugada desta segunda-feira (12/01), no Hospital Rural de Chibuto, Rosita Pedro, a jovem que ganhou projecção nacional e internacional por ter nascido no cume de uma árvore durante as devastadoras cheias do ano 2000. A morte foi confirmada por autoridades locais e pela família, que apontam a anemia como causa do óbito.

Rosita Pedro nasceu a 1 de Março de 2000, em plena tragédia das cheias que inundaram vastas zonas da província de Gaza, obrigando milhares de famílias a refugiarem-se em árvores e pontos elevados para escapar à fúria das águas. A sua mãe encontrava-se isolada numa árvore quando entrou em trabalho de parto. O resgate, considerado histórico, foi efectuado por um piloto sul-africano, que retirou mãe e filha em segurança.

O pai da jovem, Salvador Mavuango, disse à TV Sucesso que a filha perdeu a vida vítima de anemia, após um período de internamento. “Fizemos o possível, mas a doença venceu. A Rosita partiu cedo demais”, lamentou.

Em vida, Rosita Pedro tornou-se um símbolo de esperança num dos períodos mais difíceis vividos pelo país. Ainda bebé, viajou para a Europa e para a América com o então Presidente da República, Joaquim Alberto Chissano, onde foi recebida com entusiasmo por comunidades e instituições solidárias, num gesto que visava mobilizar apoio internacional para Moçambique, duramente afectado pelas cheias.

Apesar da notoriedade alcançada, Rosita sentia-se, nos últimos anos, esquecida pelo Estado. Após concluir a 12.ª classe, em 2018, aguardava por promessas de bolsas de estudo e outras oportunidades que, segundo a própria, nunca se materializaram. Pessoas próximas relatam que a jovem manifestava frustração pelo abandono e pela falta de acompanhamento social e institucional.

O presidente do Conselho Municipal de Chibuto, Henriques Machava, confirmou o óbito e assegurou que o município está em contacto permanente com a família para garantir a realização condigna das exéquias fúnebres, cuja organização ficará sob responsabilidade do Conselho Municipal. “A Rosita é parte da nossa história colectiva. O município não vai virar as costas neste momento difícil”, afirmou.

Para a família, Rosita Pedro representa muito mais do que um episódio mediático. “Ela é um marco histórico das cheias de 2000, uma sobrevivente desde o primeiro dia de vida”, sublinhou Salvador Mavuango, recordando que, apesar de nunca ter sido devidamente valorizada pelo governo, a filha carregou sempre o peso simbólico daquele período trágico da história nacional.

A morte de Rosita Pedro reacende o debate sobre o acompanhamento social de figuras simbólicas e, sobretudo, sobre o acesso efectivo aos cuidados de saúde e às oportunidades prometidas a jovens em situação de vulnerabilidade. Hoje, Moçambique despede-se de um dos rostos mais emblemáticos das cheias de 2000 — uma história de sobrevivência que terminou cedo demais.

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