Para o escritor, iniciativas desta natureza ajudam a responder às dificuldades enfrentadas por jovens que pretendem entrar no universo literário, sobretudo numa fase em que muitos procuram saber onde começar, como desenvolver os seus trabalhos e com quem podem trabalhar.
Obedes Lobadias considera que existe um défice de oportunidades para jovens interessados pela literatura, leitura e arte, apesar da existência de espaços onde estas questões são discutidas.
“Esteve-se a dizer também sobre a questão: há um espaço vago de críticas, mas não há um espaço de oportunidades para essas pessoas que têm interesse pela literatura, pela leitura, pelos livros e pela arte no seu todo”, afirmou.
Na sua perspectiva, o workshop constitui uma oportunidade para criar contactos entre jovens escritores, artistas e outros intervenientes do sector.
Questionado sobre a possibilidade de viver financeiramente da literatura, Obedes Lobadias estabeleceu uma distinção entre a finalidade da literatura e as possibilidades económicas que ela pode proporcionar.
“A literatura não serve para ganhar dinheiro, mas é possível ganhar dinheiro com a literatura”, afirmou.
Para o escritor, a literatura contribui para o desenvolvimento da própria pessoa e para o aprimoramento daquilo que considera ser a essência e a integridade humanas.
Ao mesmo tempo, defende que os profissionais do sector precisam de encontrar mecanismos para tornar as suas actividades sustentáveis.
Entre as possibilidades apontadas estão a comercialização de livros, a realização de performances e a transformação de trabalhos artísticos em eventos.
No caso da declamação, por exemplo, o artista considera possível utilizar plataformas digitais para produzir conteúdos e posteriormente transformá-los em actividades que possam gerar rendimento.
Obedes Lobadias entende, contudo, que a sustentabilidade exige criatividade e capacidade de acompanhar os interesses do público.
“Tem de ser inovador, tem de ser algo que vai ser impactante, transformador e tem de ser do interesse das pessoas”, defendeu.
A publicação de livros electrónicos foi igualmente abordada durante a entrevista.
Obedes Lobadias considera que a produção de e-books pode facilitar o acesso dos jovens à publicação, mas alerta para a necessidade de observar os procedimentos técnicos e gráficos necessários para que uma obra digital tenha qualidade.
Segundo o escritor, alguns trabalhos podem perder-se no ambiente digital quando os autores não observam devidamente os aspectos relacionados com a preparação e publicação das obras.
Por isso, defende que os jovens procurem pessoas e espaços capazes de oferecer orientação e estabelecer contactos com profissionais que possam apoiar o processo.
Neste contexto, considera que o workshop pode funcionar também como espaço de networking, permitindo aos participantes encontrar pessoas com quem possam desenvolver projectos e procurar caminhos para a publicação de livros físicos ou electrónicos.
Apesar das oportunidades oferecidas pelo ambiente digital, Ubetshalobadias defende a preservação do livro físico.
Para o escritor, os livros impressos possuem um valor que ultrapassa a sua função imediata de transmissão de informação, estando também ligados à memória.
“Não podemos matar os livros físicos, são os nossos monumentos”, afirmou.
O artista questionou ainda a dependência das plataformas digitais, lembrando que o acesso aos conteúdos electrónicos depende da existência da própria internet.
“Se o dono da internet desliga, o que é que resta? Porque ele pode fazer isso”, observou.
Para Obedes Lobadias, a resposta passa por combinar as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias com a preservação das formas tradicionais de publicação, criando mais caminhos para que os jovens possam desenvolver e divulgar a sua produção literária.
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