15 de janeiro de 2026

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Ossufo Momade reconhece crise interna na RENAMO e apela à união do partido

 O Presidente da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ossufo Momade, admitiu publicamente a existência de uma crise profunda no seio do maior partido da oposição em Moçambique, durante um encontro com a Liga Feminina da RENAMO, realizado nesta quinta-feira na cidade de Nampula, no norte do país.

Momade afirmou que as tensões actuais não surgiram de forma repentina, mas têm raízes históricas que remontam aos tempos da liderança de Afonso Dhlakama, fundador e histórico comandante do partido, falecido em 2018. Segundo ele, essas divergências internas persistem e vêm sendo alimentadas por diferentes interpretações sobre a condução política e o papel da direcção do partido na actual conjuntura nacional.

“É evidente para todos nós que vivemos momentos de dificuldade. Alguns membros manifestam descontentamento profundo, e parte dessas questões tem origem em fricções antigas que nunca foram plenamente resolvidas desde os tempos de Dhlakama”, declarou Momade, sublinhando que desconhece as razões exactas ou únicas para o descontentamento de determinados sectores. (Contexto global sobre a crise interno da RENAMO e fricções entre líderes e correntes internas.)

O líder renamista reconheceu que a formação política tem enfrentado contestações públicas e divisões visíveis, com figuras influentes e ex-combatentes a questionar a legitimidade e a direcção do actual presidente. Alguns sectores, sobretudo antigos guerrilheiros e quadros históricos, não reconhecem Momade como presidente e exigem a realização urgente de um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança, argumentando que a crise actual afecta a capacidade da RENAMO de se afirmar perante o eleitorado.

Momade, contudo, preferiu não entrar em confrontos directos ou responder individualmente às críticas. Apelou à calma e à união, frisando que os desafios internos só poderão ser superados através do diálogo e do respeito pelos órgãos de direcção do partido. “Precisamos de estar unidos para encarar os grandes desafios que se avizinham, nomeadamente os próximos pleitos eleitorais, em que o país espera ver uma RENAMO forte e coesa”, disse.

O presidente da RENAMO dirigiu palavras de reconhecimento às mulheres do partido, afirmando que o envolvimento feminino é essencial para a renovação e revitalização de toda a estrutura partidária. Instou os membros a colocarem os interesses do colectivo acima de ambições pessoais ou rancores antigos.

A crise na RENAMO agrava-se num momento em que o partido enfrenta questionamentos adicionais sobre liderança e futuro, com sectores juvenis a pedir um Conselho Nacional alargado e a antecipação de eleições internas para a presidência. A falta de consenso sobre datas e processos internos tem sido um dos pontos de maior atrito, segundo observadores políticos.

Apesar das divergências, Momade reafirmou que a RENAMO deve manter o seu compromisso com a estabilidade e a democracia em Moçambique, recordando que o partido foi fundador de processos de paz e participação política desde os tempos de transição nacional.

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