WASHINGTON, 6 de Janeiro (Xinhua) — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a sua equipa estão a ponderar “uma gama de opções” para adquirir a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, incluindo a possibilidade de “utilizar as forças armadas norte-americanas”, afirmou esta Terça-feira a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
“O presidente e a sua equipa estão a discutir uma série de opções para prosseguir este importante objectivo de política externa e, naturalmente, a utilização das forças armadas dos EUA é sempre uma opção ao dispor do comandante-em-chefe”, disse Leavitt à Xinhua, numa declaração enviada por correio electrónico.
Segundo ela, “o Presidente Trump deixou bem claro que a aquisição da Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional para os Estados Unidos e é vital para dissuadir os nossos adversários na região do Árctico”.
O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, afirmou na Segunda-feira que ninguém enfrentaria militarmente os Estados Unidos caso tentassem apoderar-se da Gronelândia, que é um território autónomo da Dinamarca.
“É a posição formal do governo dos EUA que a Gronelândia deveria fazer parte dos Estados Unidos”, disse Miller numa entrevista à CNN.
“Precisamos da Gronelândia, absolutamente. Precisamos dela para defesa”, reiterou Trump numa entrevista telefónica à The Atlantic no Domingo, reafirmando que a Venezuela pode não ser o último país sujeito a intervenção norte-americana, ao mesmo tempo que afirmou que caberia a outros interpretar o que um ataque em larga escala dos EUA à Venezuela significaria para a Gronelândia.
Horas após a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro, na madrugada de sábado, Katie Miller, esposa de Stephen Miller e também aliada de Trump, publicou na rede social X a imagem de um mapa da Gronelândia sobreposto com a bandeira norte-americana, acompanhada da palavra “EM BREVE”.
“O nosso país não é algo que se possa negar ou tomar só porque alguém quer”, afirmou o Primeiro-Ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, numa declaração emitida na Terça-feira.
“Princípios internacionais muito básicos estão a ser postos em causa” pelas repetidas ameaças de Washington, disse Nielsen.
A Primeira-Ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu que “se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da NATO, então tudo pára, incluindo a própria NATO e, consequentemente, a segurança que foi construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial”.
Os líderes de França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca emitiram na Terça-feira uma declaração conjunta afirmando que “cabe apenas à Dinamarca e à Gronelândia decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Gronelândia”.
Os líderes sublinharam que a segurança no Árctico continua a ser uma prioridade fundamental para a Europa e é crucial para a segurança internacional e transatlântica, observando que a NATO deixou claro que a região do Árctico é uma prioridade e que os aliados europeus estão a reforçar a sua presença na área.
A Gronelândia, antiga colónia dinamarquesa, obteve autonomia interna em 1979. Em 2009, a Dinamarca aprovou a Lei do Autogoverno da Gronelândia, alargando os poderes da ilha sobre os seus assuntos internos. No entanto, a Dinamarca mantém a autoridade sobre a política externa, defesa e segurança da Gronelândia, segundo o Gabinete do Primeiro-Ministro dinamarquês.
“Anexar a Gronelândia seria uma catástrofe estratégica” para os Estados Unidos, advertiu Casey Michel, director do Programa de Combate à Cleptocracia da Fundação de Direitos Humanos.
“Qualquer tentativa dos Estados Unidos de reclamar a ilha sairia rapidamente do controlo”, escreveu Michel na revista Foreign Policy. “Que aliança sobreviveria a algo assim? Que aliado confiaria nos EUA para não fazer o mesmo no futuro?”
“Num mundo de imperialismo, como diz o ditado, o apetite cresce comendo”, concluiu Michel.
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