Segundo os familiares, Carlos era um jovem trabalhador que procurava garantir o sustento da esposa e da filha recém-nascida. Relatam que, no dia da tragédia, após terminar o expediente, esteve com colegas de trabalho, onde consumiu bebidas alcoólicas.
A família sustenta que, já em aparente estado de embriaguez, o jovem terá caído e adormecido junto a uma residência. De acordo com esta versão, o proprietário da casa, ao deparar-se com a situação, pediu auxílio aos moradores da vizinhança, que terão interpretado a presença de Carlos como uma tentativa de roubo e agredido o jovem até à morte.
Entretanto, alguns moradores do bairro apresentam uma versão diferente dos factos. Alegam que Carlos estaria alegadamente envolvido em actos de roubo e que, no momento do incidente, fazia-se acompanhar por outros dois indivíduos, que conseguiram fugir antes da chegada da população.
A decisão da família de realizar o velório em frente à residência da pessoa apontada como responsável pela denúncia dividiu opiniões entre os residentes de Chinonanquila. Enquanto alguns consideram o acto uma forma de protesto e de exigir justiça, outros entendem que a iniciativa pode agravar o ambiente de tensão na comunidade.
O caso reacende o debate sobre os frequentes episódios de justiça pelas próprias mãos em Moçambique. A legislação moçambicana determina que suspeitas da prática de crimes devem ser comunicadas às autoridades competentes, cabendo exclusivamente aos órgãos de investigação e aos tribunais apurar responsabilidades. O linchamento constitui crime e não é permitido pela lei, independentemente das suspeitas que recaiam sobre qualquer cidadão.
As autoridades competentes deverão prosseguir com as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte de Carlos Matsinhe e determinar eventuais responsabilidades criminais.
Fonte: TV Miramar.
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