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CAIXÃO DE JOVEM LINCHADO EM BOANE É LEVADO PARA VELÓRIO À PORTA DE RESIDÊNCIA DA PESSOA APONTADA PELA FAMÍLIA COMO RESPONSÁVEL PELA ACUSAÇÃO

Um clima de forte tensão e consternação marcou a manhã desta terça-feira no bairro de Chinonanquila, no distrito de Boane, província de Maputo, quando familiares de Carlos Matsinhe, de 25 anos, decidiram levar o caixão com o seu corpo para ser velado em frente à residência da pessoa que consideram ter desencadeado os acontecimentos que culminaram no seu linchamento.

Segundo os familiares, Carlos era um jovem trabalhador que procurava garantir o sustento da esposa e da filha recém-nascida. Relatam que, no dia da tragédia, após terminar o expediente, esteve com colegas de trabalho, onde consumiu bebidas alcoólicas.

A família sustenta que, já em aparente estado de embriaguez, o jovem terá caído e adormecido junto a uma residência. De acordo com esta versão, o proprietário da casa, ao deparar-se com a situação, pediu auxílio aos moradores da vizinhança, que terão interpretado a presença de Carlos como uma tentativa de roubo e agredido o jovem até à morte.

Entretanto, alguns moradores do bairro apresentam uma versão diferente dos factos. Alegam que Carlos estaria alegadamente envolvido em actos de roubo e que, no momento do incidente, fazia-se acompanhar por outros dois indivíduos, que conseguiram fugir antes da chegada da população.

A decisão da família de realizar o velório em frente à residência da pessoa apontada como responsável pela denúncia dividiu opiniões entre os residentes de Chinonanquila. Enquanto alguns consideram o acto uma forma de protesto e de exigir justiça, outros entendem que a iniciativa pode agravar o ambiente de tensão na comunidade.

O caso reacende o debate sobre os frequentes episódios de justiça pelas próprias mãos em Moçambique. A legislação moçambicana determina que suspeitas da prática de crimes devem ser comunicadas às autoridades competentes, cabendo exclusivamente aos órgãos de investigação e aos tribunais apurar responsabilidades. O linchamento constitui crime e não é permitido pela lei, independentemente das suspeitas que recaiam sobre qualquer cidadão.

As autoridades competentes deverão prosseguir com as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte de Carlos Matsinhe e determinar eventuais responsabilidades criminais.

Fonte: TV Miramar.

Emuel Moisés

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