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CCMAS destaca papel de Moçambique na gestão de riscos de desastres e na resiliência climática

A Câmara de Comércio Moçambique-África do Sul (CCMAS) destacou o papel de Moçambique na gestão e redução dos riscos de desastres, com enfoque na actuação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), na participação das comunidades e na necessidade de reforçar os investimentos em infra-estruturas resilientes.

Em declarações prestadas à margem da Conferência Internacional sobre Riscos de Desastres e Resiliência em África, realizada de 13 a 15 de Outubro, na cidade de Maputo, Celso Quambe, representante da CCMAS e do Sector Privado, salientou a importância da liderança nacional e dos mecanismos institucionais de prevenção e resposta a fenómenos climáticos extremos.

Segundo Guambe, a experiência moçambicana na gestão de riscos merece atenção, sobretudo devido à exposição do país a fenómenos como ciclones, cheias e secas, que afectam as comunidades, as infra-estruturas e as actividades económicas.

INGD e comunidades na prevenção de desastres

Por outro lado, Celso Guambe, apontou a intervenção do INGD ao nível dos distritos e das comunidades como um dos elementos relevantes na preparação para situações de emergência.

A identificação de pontos focais comunitários permite melhorar a circulação de informações sobre ameaças, facilitar a disseminação de alertas e apoiar a preparação das populações que vivem em zonas vulneráveis.

A prevenção e a evacuação atempada, quando necessárias, constituem medidas importantes para reduzir a exposição das comunidades aos perigos associados aos fenómenos naturais.

Neste contexto, a articulação entre as autoridades, os mecanismos locais de prevenção e os parceiros de desenvolvimento é fundamental para fortalecer a capacidade de resposta do país.

Infra-estruturas resilientes e tecnologia entre as prioridades

Face à exposição recorrente de Moçambique aos eventos climáticos extremos, Guambe defende o reforço dos investimentos em infra-estruturas capazes de resistir aos impactos das alterações climáticas. Sendo assim, entre as áreas consideradas relevantes estão a construção e reabilitação de infra-estruturas resilientes, a gestão dos recursos hídricos e o desenvolvimento de soluções adaptadas às características ambientais das diferentes regiões do país.

A construção e a gestão adequada de barragens e outras infra-estruturas hidráulicas podem contribuir para regular os caudais dos rios e apoiar a gestão dos recursos hídricos. Contudo, a sua eficácia depende de estudos técnicos, manutenção adequada e articulação com outras medidas de prevenção de cheias.

A inovação tecnológica também foi apontada como uma área de interesse, particularmente no desenvolvimento de equipamentos destinados a operações de busca, salvamento e resposta a emergências, incluindo drones.

A utilização destas tecnologias pode melhorar a recolha de informações em zonas de difícil acesso e apoiar as equipas de emergência, desde que acompanhada de recursos técnicos e humanos adequados.

Sector privado chamado a reforçar a cooperação

A CCMAS defende o reforço da colaboração entre o sector privado, as instituições públicas e os parceiros internacionais na mobilização de recursos e na implementação de iniciativas destinadas a reduzir os riscos de desastres.

O envolvimento empresarial poderá contribuir para o financiamento de infra-estruturas, a introdução de soluções tecnológicas e o desenvolvimento de mecanismos que ajudem a proteger as actividades económicas e os meios de subsistência das populações.

A construção de uma economia mais resiliente depende, igualmente, da integração da prevenção de riscos no planeamento territorial, na execução de obras públicas e nas estratégias de desenvolvimento.

A conferência realizada em Maputo terminou deixando espaço de reflexão sobre a necessidade de transformar os compromissos de prevenção de desastres em medidas concretas, sustentadas por financiamento adequado, coordenação institucional e participação comunitária.

Emuel Moisés

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Emuel Moisés

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