Categories: PolíticaSaúde

Ministério da Saúde apela a parceiros internacionais para redireccionarem fundos de seminários para a compra de medicamentos essenciais

Numa intervenção marcante durante um encontro de concertação com representantes das instituições internacionais que apoiam o Sistema Nacional de Saúde (SNS), o Ministro da Saúde, Armindo Tiago, lançou um apelo urgente e directo aos parceiros de cooperação para que interrompam o financiamento de seminários, formações e reuniões de capacitação.

O governante defende que os recursos financeiros disponíveis devem ser canalizados primordialmente para a aquisição de medicamentos e material médico de penso, de modo a mitigar a grave escassez que afecta as unidades sanitárias públicas do país.

Durante a sua alocução, o titular da pasta da Saúde exemplificou o desfasamento entre as necessidades do sector e as propostas dos doadores:

  • Prioridades desajustadas: O ministro destacou que, perante situações de rotura de stock de insumos básicos — como luvas, material de penso e fármacos indispensáveis —, os parceiros frequentemente apresentam propostas de financiamento na ordem dos milhões de meticais destinadas exclusivamente a formações e workshops.
  • Suspensão de eventos não essenciais: Foi anunciado pelo governante que não serão autorizadas reuniões que retirem os profissionais de saúde dos seus postos de trabalho durante dias, gerando custos elevados com ajudas de custo e logística sem impacto directo na assistência aos doentes.
  • Centramento na atenção hospitalar: O ministro frisou com veemência que “salvar vidas é nos hospitais e não nas salas de reunião”. A ausência de técnicos dos seus locais de trabalho para responder a compromissos burocráticos agrava a qualidade do atendimento prestado à população.

Mudança de paradigma e alinhamento estratégico

O Ministério da Saúde apela a um alinhamento estratégico com a realidade socioeconómica nacional, exortando a cooperação internacional a canalizar os escassos recursos disponíveis para cobrir as reais necessidades dos cidadãos mais vulneráveis.

De acordo com a liderança do sector, a avaliação do desempenho da saúde pública em Moçambique não deve pautar-se pelo número de eventos institucionais realizados, mas sim pela disponibilidade efectiva de medicamentos e pela capacidade de resposta do SNS. O Governo reafirma a sua abertura para continuar a trabalhar em coordenação com os parceiros, exigindo contudo que as prioridades nacionais sejam rigorosamente respeitadas para garantir a prestação de cuidados de saúde dignos à população moçambicana.

Emuel Moisés

Share
Published by
Emuel Moisés

Recent Posts

Workshop de Literatura Viva debate novos autores, leitura e inteligência artificial

A promoção de novos autores, os hábitos de leitura em Moçambique e o impacto da…

1 semana ago

Workshop de Literatura Viva cria espaço para novos escritores em Moçambique

A primeira edição do workshop de “Literatura Viva” pretende criar oportunidades para jovens interessados na…

1 semana ago

Obedes Lobadias defende novas formas de transformar literatura em actividade sustentável

A literatura pode gerar rendimento, mas a sua importância ultrapassa a dimensão financeira, defende o…

1 semana ago

Liderança Juvenil e Uso Consciente das Plataformas Digitais no Centro do Combate à Violência Contra a Criança

 Num contexto em que a proliferação do acesso à tecnologia e o recurso às redes…

1 semana ago

CMM E PARCEIROS IMPULSIONAM POTENCIAL DE KANYAKA: TURISMO, BIODIVERSIDADE E A MAIOR PONTE-CAIS DO MUNDO EM DESTAQUE

 O Presidente do Conselho Municipal de Maputo (CMM), Rasaque Manhique, dirigiu no Distrito Municipal KaNyaka…

1 semana ago

RETOMADA ECONÓMICA E TURÍSTICA: CMM PROMOVE KANYAKA COMO DESTINO ESTRATÉGICO DE INVESTIMENTO

 O Presidente do Conselho Municipal de Maputo (CMM), Rasaque Manhique, dirigiu nesta quinta-feira, 01 de…

1 semana ago