11 de agosto de 2026

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Ministério da Saúde apela a parceiros internacionais para redireccionarem fundos de seminários para a compra de medicamentos essenciais

Numa intervenção marcante durante um encontro de concertação com representantes das instituições internacionais que apoiam o Sistema Nacional de Saúde (SNS), o Ministro da Saúde, Armindo Tiago, lançou um apelo urgente e directo aos parceiros de cooperação para que interrompam o financiamento de seminários, formações e reuniões de capacitação.

O governante defende que os recursos financeiros disponíveis devem ser canalizados primordialmente para a aquisição de medicamentos e material médico de penso, de modo a mitigar a grave escassez que afecta as unidades sanitárias públicas do país.

Durante a sua alocução, o titular da pasta da Saúde exemplificou o desfasamento entre as necessidades do sector e as propostas dos doadores:

  • Prioridades desajustadas: O ministro destacou que, perante situações de rotura de stock de insumos básicos — como luvas, material de penso e fármacos indispensáveis —, os parceiros frequentemente apresentam propostas de financiamento na ordem dos milhões de meticais destinadas exclusivamente a formações e workshops.
  • Suspensão de eventos não essenciais: Foi anunciado pelo governante que não serão autorizadas reuniões que retirem os profissionais de saúde dos seus postos de trabalho durante dias, gerando custos elevados com ajudas de custo e logística sem impacto directo na assistência aos doentes.
  • Centramento na atenção hospitalar: O ministro frisou com veemência que “salvar vidas é nos hospitais e não nas salas de reunião”. A ausência de técnicos dos seus locais de trabalho para responder a compromissos burocráticos agrava a qualidade do atendimento prestado à população.

Mudança de paradigma e alinhamento estratégico

O Ministério da Saúde apela a um alinhamento estratégico com a realidade socioeconómica nacional, exortando a cooperação internacional a canalizar os escassos recursos disponíveis para cobrir as reais necessidades dos cidadãos mais vulneráveis.

De acordo com a liderança do sector, a avaliação do desempenho da saúde pública em Moçambique não deve pautar-se pelo número de eventos institucionais realizados, mas sim pela disponibilidade efectiva de medicamentos e pela capacidade de resposta do SNS. O Governo reafirma a sua abertura para continuar a trabalhar em coordenação com os parceiros, exigindo contudo que as prioridades nacionais sejam rigorosamente respeitadas para garantir a prestação de cuidados de saúde dignos à população moçambicana.

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