28 de outubro de 2026

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Salimo Abdula desafia PME moçambicanas a preparar-se para oportunidades no sector do gás

Empresário defende maior participação nacional nos grandes projectos de petróleo e gás, acesso ao financiamento e fiscalização dos operadores para garantir oportunidades efectivas às empresas moçambicanas.

O empresário Salimo Abdula defende que as pequenas e médias empresas (PME) moçambicanas devem reforçar a sua capacidade técnica, melhorar a organização interna e estabelecer parcerias estratégicas para aproveitar as oportunidades de negócio geradas pelos investimentos no sector do petróleo e gás.

Intervindo numa masterclass promovida pelo Clube Petróleo, subordinada ao tema «Oportunidades de Negócio no Sector do Gás», Abdula afirmou que os investimentos de grande dimensão não devem ser vistos como oportunidades reservadas exclusivamente às grandes empresas, uma vez que envolvem uma extensa cadeia de fornecedores de bens e serviços.

Segundo o empresário, áreas como transportes, logística, construção, manutenção, alimentação, segurança, telecomunicações e tecnologia oferecem possibilidades de participação para empresas nacionais, desde que estas cumpram os requisitos de qualidade, segurança e capacidade operacional exigidos pelo sector.

Para Salimo Abdula, o acesso a estas oportunidades depende da preparação das empresas, incluindo a regularização da documentação legal e fiscal, a organização contabilística, a elaboração de perfis empresariais, a formação dos trabalhadores e a obtenção das certificações aplicáveis.

O empresário aconselhou igualmente as PME a começarem por contratos compatíveis com a sua dimensão, incluindo a prestação de serviços como subcontratadas, antes de avançarem para projectos mais complexos.

Na sua perspectiva, a capacidade de cumprir prazos, garantir qualidade e conquistar a confiança dos clientes constitui um factor determinante para a permanência das empresas na cadeia de valor do petróleo e gás.

Financiamento e conteúdo local

Abdula apontou o acesso ao financiamento, os custos de certificação e as dificuldades de acesso à informação sobre concursos como alguns dos obstáculos enfrentados pelas empresas nacionais.

Defendeu, por isso, que as instituições financeiras desenvolvam soluções adequadas às necessidades das PME, incluindo crédito para capital circulante, financiamento de equipamentos e instrumentos que permitam executar contratos antes do recebimento dos pagamentos.

O empresário considerou igualmente que o conteúdo local deve assegurar oportunidades efectivas às empresas moçambicanas e contribuir para o seu fortalecimento técnico e empresarial, permitindo que a experiência adquirida no sector seja aplicada noutras áreas da economia e em mercados internacionais.

Para alcançar esse objectivo, apelou ao envolvimento do Governo, dos grandes operadores, das instituições financeiras e das associações empresariais na criação de condições que favoreçam a participação dos fornecedores nacionais.

Na mesma ocasião, advertiu para a necessidade de fiscalização dos grandes operadores, defendendo que as regras e as políticas de conteúdo local sejam efectivamente cumpridas. Segundo afirmou, alguns operadores podem privilegiar fornecedores com os quais já mantêm relações comerciais, limitando o acesso das empresas moçambicanas às oportunidades disponíveis.

As declarações constituem um apelo à supervisão do sector e à criação de mecanismos que permitam verificar o cumprimento das obrigações aplicáveis, sem prejuízo da necessidade de avaliar eventuais irregularidades com base em evidências.

Tecnologia e preparação empresarial

Na sua intervenção, Salimo Abdula destacou ainda o papel da tecnologia na melhoria da produtividade, na gestão de custos e na comunicação entre empresas, fornecedores e clientes.

Referiu os investimentos em conectividade, infra-estruturas digitais e soluções financeiras como elementos que podem contribuir para o desenvolvimento do empresariado nacional. Neste contexto, mencionou iniciativas da Vodacom, incluindo o investimento num centro de dados em Nacala e a disponibilização de soluções digitais para micro, pequenas e médias empresas.

Como desafio aos participantes, propôs que cada empresa elaborasse um plano de acção para os 90 dias seguintes, identificando uma oportunidade concreta e as medidas necessárias para melhorar os seus processos, qualificar os trabalhadores, obter certificações ou estabelecer parcerias.

Na sua perspectiva, o impacto dos investimentos no petróleo e gás dependerá não apenas do volume de capital mobilizado, mas também da capacidade de o país transformar esses investimentos em negócios sustentáveis, emprego, conhecimento e riqueza nacional.

O empresário concluiu apelando a uma preparação progressiva e consistente das empresas, defendendo que o crescimento deve assentar em bases sólidas, na aprendizagem contínua e na capacidade de assumir novos desafios.

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