6 de março de 2026

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SERNIC detém enfermeiro em Tete por alegada clínica ilegal montada em residência

 

ENFERMEIRO DO HOSPITAL PROVINCIAL DE TETE DETIDO POR GERIR SUPOSTA CLÍNICA ILEGAL EM CASA

Um enfermeiro afecto ao Hospital Provincial de Tete foi detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), acusado de exercer actividades de assistência médica de forma ilegal na sua residência, situada no bairro Matundo, na cidade de Tete, numa prática que alegadamente decorria desde 2019.

De acordo com informações avançadas por fontes locais, a detenção ocorreu na sequência de uma operação desencadeada após várias denúncias da população, que apontavam para a existência de uma clínica improvisada numa residência particular. A acção policial culminou com o desmantelamento do espaço e a apreensão de diversos medicamentos e materiais usados em atendimentos médicos.

Durante a operação, os agentes do SERNIC encontraram vários fármacos sem o timbre do Sistema Nacional de Saúde, levantando suspeitas quanto à proveniência dos produtos. As autoridades procuram agora apurar se os medicamentos foram adquiridos de forma legal em estabelecimentos privados ou se poderão ter sido desviados de unidades sanitárias públicas.

Em declarações à imprensa, o enfermeiro reconheceu que realizava atendimentos no local, mas rejeitou a acusação de estar a gerir uma clínica ilegal. Segundo o próprio, limitava-se a prestar assistência básica a vizinhos e a outras pessoas da comunidade que recorriam à sua ajuda.

“Não considero aquilo uma clínica. Apenas ajudava as pessoas que me procuravam”, afirmou, acrescentando que os medicamentos apreendidos teriam sido comprados em farmácias privadas e não retirados do hospital onde exerce funções.

O suspeito integra os quadros do Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU) desde 2013, estando afecto ao Hospital Provincial de Tete, uma das principais unidades sanitárias da província.

Entretanto, o inspector provincial de Saúde em Tete, Miguel Munana, afirmou que as autoridades sanitárias estão a investigar a origem dos medicamentos encontrados no local. O responsável explicou que, em alguns casos, o sector da saúde recebe doações de parceiros cujos fármacos não apresentam o selo oficial do Sistema Nacional de Saúde, o que pode dificultar a identificação imediata da sua proveniência.

Ainda assim, Munana não descartou a possibilidade de eventual desvio de medicamentos do sector público, sublinhando que a investigação em curso deverá esclarecer todas as circunstâncias do caso.

Para além do processo-crime por exercício ilegal da actividade sanitária, o enfermeiro poderá enfrentar sanções disciplinares no âmbito da função pública, caso se confirme o envolvimento em práticas contrárias às normas do sector.

As autoridades reiteram que a prestação de serviços de saúde fora das unidades devidamente licenciadas constitui uma violação das normas do Sistema Nacional de Saúde, podendo colocar em risco a segurança dos pacientes, sobretudo quando envolve medicamentos de origem incerta ou procedimentos realizados sem as condições clínicas adequadas.

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