Durante o Fórum Internacional “PARA ALÉM DO HOMICÍDIO, COMPREENDENDO O FEMINICÍDIO E A VIOLÊNCIA SEXISTA E DE GÉNERO”, especialistas, activistas e organizações da sociedade civil uniram vozes para alertar que Moçambique enfrenta uma crise humanitária e de direitos humanos sem precedentes.
A dimensão da tragédia quotidiana foi traduzida em números alarmantes pela Especialista em Género, Direitos das Mulheres e Actividade Social, Benilde Nhalivilo, que sustentou que o cenário epidemiológico da violência atingiu contornos insustentáveis no país.
“Em Moçambique, quando em cada dois dias uma mulher é morta, eu acho que estamos perante uma emergência. O objectivo é reflectirmos sobre esta questão do homicídio, mas, mais do que reflectir, é ver que próximos passos, que acções e que medidas devem ser tomadas para que se reduza a morte de mulheres, sobretudo assassinadas pelos seus parceiros, ex-parceiros ou em relações desiguais de poder.” Benilde Nhalivilo, Especialista em Género e Direitos das Mulheres.
Para além do diagnóstico estatístico, a intervenção da especialista colocou a nu os gargalos do sistema público de protecção e justiça. Benilde Nhalivilo advertiu que encorajar as vítimas a quebrar o silêncio sem garantir uma infra-estrutura institucional preparada é expor as mulheres a riscos ainda maiores de agressão e desamparo.
“Mesmo que a gente diga à vítima para denunciar, se os serviços não estão preparados para responder, então vai ser uma revitimização da vítima.” Benilde Nhalivilo.
A análise apresentada sustenta que combater a impunidade exige a capacitação urgente e articulada das Forças de Defesa e Segurança, dos serviços de saúde e dos tribunais, assegurando um atendimento célere, humanizado e capaz de travar a escalada de violência antes do desfecho fatal.
A desconstrução da aceitação cultural da violência desde os primeiros anos de vida emergiu como um ponto central das reflexões no fórum, visando romper com a tolerância social perante agressões verbais, físicas e psicológicas.
“A violência não é natural. É preciso trabalhar no sentido de desnaturalizar e desnormalizar isto, mostrando que a violência não é normal.” Benilde Nhalivilo.
Para traduzir este posicionamento em acções concretas, a especialista e as organizações parceiras apontaram três eixos prioritários de actuação comunitária e educacional:
Ao fazer o balanço do percurso do país desde a independência nacional, lamentou-se o facto de os indicadores de homicídios de mulheres estarem em patamares alarmantes. A declaração final da sociedade civil reforça que travar o feminicídio exige a responsabilização conjunta entre os poderes Executivo, Legislativo e Judicial, as escolas e a comunidade em geral.
A promoção de novos autores, os hábitos de leitura em Moçambique e o impacto da…
A primeira edição do workshop de “Literatura Viva” pretende criar oportunidades para jovens interessados na…
A literatura pode gerar rendimento, mas a sua importância ultrapassa a dimensão financeira, defende o…
Num contexto em que a proliferação do acesso à tecnologia e o recurso às redes…
O Presidente do Conselho Municipal de Maputo (CMM), Rasaque Manhique, dirigiu no Distrito Municipal KaNyaka…
O Presidente do Conselho Municipal de Maputo (CMM), Rasaque Manhique, dirigiu nesta quinta-feira, 01 de…