Categories: Mundo

EUA CAPTURAM NICOLÁS MADURO E ASSUMEM CONTROLO POLÍTICO DA VENEZUELA

CARACAS, 6 de Janeiro (Xinhua) — A Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história recente após a captura do Presidente Nicolás Maduro pelas forças militares dos Estados Unidos. A operação ocorreu na madrugada de sábado, depois de explosões terem abalado Caracas, culminando com a transferência de Maduro e da sua esposa para Nova Iorque. O país foi imediatamente colocado em estado de emergência.

No Domingo, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela e já dialogam com a nova liderança em Caracas, deixando o futuro político do país em aberto.

Washington não escondeu a dimensão da intervenção. Trump declarou que os EUA irão “administrar” a Venezuela até que se concretize uma “transição segura e adequada”, alinhada com os interesses norte-americanos, sem, contudo, definir prazos ou mecanismos claros.

Delcy Rodríguez, indicada pelo Supremo Tribunal de Justiça como presidente interina após a captura de Maduro, foi rapidamente reconhecida por Trump. O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, manteve contactos directos com Rodríguez, que recebeu um aviso público de que enfrentaria “consequências severas” caso não cooperasse.

Apesar de Rodríguez ter manifestado abertura para uma relação “equilibrada e respeitosa” com Washington, analistas sublinham que as forças de esquerda mantêm uma base social relevante, sobretudo dentro das Forças Armadas, o que limita a capacidade dos EUA de redesenhar rapidamente o sistema político venezuelano.

A oposição procura reorganizar-se. O ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia é apontado por apoiantes como “presidente legítimo”, enquanto María Corina Machado defende uma “transição ordeira”. Contudo, especialistas indicam que Washington não vê estas figuras como futuros governantes efectivos, mas antes como instrumentos de pressão.

A Constituição venezuelana prevê eleições no prazo de 30 dias em caso de ausência absoluta do presidente. Trump, porém, anunciou que não haverá eleições nesse período, alegando que o país precisa primeiro de ser “arranjado”, o que levanta sérias preocupações sobre a suspensão da ordem constitucional.

O foco central da intervenção é o petróleo. A Venezuela possui cerca de 300 mil milhões de barris de crude pesado, essenciais para as refinarias norte-americanas. Trump defendeu a entrada maciça de empresas dos EUA para recuperar a infra-estrutura petrolífera, nacionalizada durante o governo de Hugo Chávez.

Segundo analistas, a recuperação plena exigiria investimentos superiores a 110 mil milhões de dólares, num contexto de infra-estruturas degradadas, sanções, fuga de quadros da PDVSA e forte controlo militar do sector.

A operação desencadeou forte reacção internacional. Países da América Latina e da Europa alertam para um precedente perigoso. Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha emitiram uma declaração conjunta reafirmando a região como zona de paz e defendendo uma solução liderada pelos próprios venezuelanos.

Especialistas alertam que a mobilização popular poderá não ser para defender Maduro enquanto indivíduo, mas sim a soberania, a Constituição e o controlo dos recursos nacionais.

Emuel Moisés

Share
Published by
Emuel Moisés

Recent Posts

Vítor Gomes da Fonseca: da Mafalala à produção do conhecimento jurídico em Moçambique

Régio Conrado destaca percurso académico, experiência profissional e compromisso do jurista com a investigação científica…

5 dias ago

INGD defende reforço da prevenção comunitária face aos riscos climáticos

Gabriel de Lemos destaca o papel dos pontos focais locais, da protecção das reservas alimentares…

2 semanas ago

Paulo Tomás sublinha o compromisso dos países africanos de reforçar financiamento contra desastres

Porta-voz do INGD destaca acordo para mobilizar recursos, melhorar os sistemas de aviso prévio e…

2 semanas ago

Câmara de Comércio Moçambique-África do Sul destaca liderança de Moçambique na prevenção de desastres

Celso Quambe aponta o papel do INGD e defende mais investimentos em infra-estruturas resilientes para…

2 semanas ago

CCMAS destaca papel de Moçambique na gestão de riscos de desastres e na resiliência climática

 A Câmara de Comércio Moçambique-África do Sul (CCMAS) destacou o papel de Moçambique na gestão…

2 semanas ago

Países da SADC defendem governação proactiva para reduzir o impacto das mudanças climáticas

Conferência internacional defende governação proactiva, financiamento sustentável e maior participação das comunidades na redução dos…

2 semanas ago