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Mafavuka aposta na agricultura de grande dimensão e enfrenta desafios climáticos e energéticos

Empresa fundada em 2006, em Namaacha, exporta até 20 camiões de banana por dia para a África do Sul. Irregularidade no fornecimento de energia eléctrica e limitações do mercado nacional figuram entre os principais constrangimentos.

 A MAFAVUKA ENTREPRISE, uma empresa agrícola estabelecida na localidade de Mafavuka, posto administrativo de Goba, distrito de Namaacha, província de Maputo, aposta na produção agrícola de grande dimensão, procurando reforçar a sua capacidade de resposta aos desafios das mudanças climáticas, particularmente à redução da precipitação associada ao fenómeno El Niño.

A informação foi partilhada por Milagre Mate, gestor de Exportações e Importações da empresa, durante uma visita de delegados à unidade agrícola, realizada no âmbito da 42.ª sessão do Conselho de Ministros da Organização Internacional para o Controlo de Gafanhoto Vermelho nas Regiões Central e Austral de África (IRLCO-CSA), que decorreu na cidade de Maputo, nos dias 29 e 30 de Outubro de 2026.

Segundo o responsável, a empresa foi fundada em 2006, a partir de uma pequena machamba, que foi sendo progressivamente desenvolvida à medida que aumentavam a produção e os investimentos na actividade agrícola.

Actualmente, a exploração dedica-se à produção de banana, macadâmia, manga, lichia, gengibre e outras culturas, utilizando técnicas de engenharia agrária que permitem melhorar os sistemas de rega, fertilização, controlo de pragas, colheita e processamento dos produtos.

No capítulo da comercialização, a África do Sul constitui o principal destino da produção, sobretudo da banana. Durante os períodos de maior produtividade, a empresa consegue expedir entre 15 e 20 camiões por dia, cada um com capacidade para transportar aproximadamente 27 toneladas.

Em contrapartida, o mercado nacional continua a apresentar limitações para absorver os volumes produzidos. Mate explicou que a capacidade de escoamento nos mercados grossistas, incluindo o do Zimpeto, não acompanha a dimensão da produção, situação agravada pela insuficiência de condições de conservação de frutas frescas.

O responsável considera que estas limitações tornam menos viável a comercialização de determinados volumes no mercado interno, tendo em conta o tempo reduzido de conservação dos produtos e os riscos de perdas económicas.

Outro desafio apontado prende-se com as interrupções frequentes no fornecimento de energia eléctrica, que obrigam a empresa a recorrer a geradores para assegurar o funcionamento contínuo das bombas de água, máquinas e sistemas de refrigeração.

De acordo com o responsável, as oscilações no fornecimento de eletricidade também provocam, ocasionalmente, avarias em equipamentos, nomeadamente bombas e compressores dos sistemas de frio, aumentando os custos de manutenção e substituição.

Apesar de reconhecer os encargos associados à instalação de sistemas de energia solar, Mate explicou que a dimensão da exploração torna esse investimento particularmente elevado. A empresa pretende continuar a utilizar os serviços da Eletricidade de Moçambique (EDM), esperando, contudo, melhorias na manutenção e estabilidade do fornecimento de energia.

No domínio da criação de emprego, a empresa privilegia o recrutamento de trabalhadores das comunidades circunvizinhas, procurando reduzir os custos de transporte e proporcionar oportunidades de trabalho à população local.

Entretanto, não foi possível avançar um número exato de trabalhadores, uma vez que a atividade envolve várias firmas e machambas, cada uma com a sua própria estrutura de gestão e responsabilidade sobre os respectivos recursos humanos.

Relativamente às mudanças climáticas, o gestor de Exportações e Importações explicou que a empresa se encontra a avaliar medidas para proteger as plantações dos possíveis efeitos da redução da precipitação, estando ainda a estudar as alternativas mais adequadas à realidade da exploração.

A visita à MAFAVUKA ENTREPRISE integrou o programa de atividades da 42.ª sessão do Conselho de Ministros da IRLCO-CSA, durante a qual parte dos delegados teve a oportunidade de conhecer unidades de produção agrícola de grande dimensão localizadas no distrito de Namaacha.

Emuel Moisés

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