O documento foi apresentado na semana finda pela Coordenadora da Provedoria de Justiça, Felismina Muhacha, durante o Seminário Multissectorial de Boa Administração Pública, realizado na cidade de Maputo sob o lema: “Por uma Boa Administração Pública e Liberdade de Expressão: Pilares para a Transparência, Integridade e Participação Cidadã”.
Segundo Muhacha, o diagnóstico resulta da análise das centenas de queixas submetidas ao Provedor de Justiça ao longo dos últimos anos, bem como das diligências efectuadas junto de diferentes instituições do Estado. O objectivo é identificar os principais problemas que continuam a afectar o funcionamento da Administração Pública e propor soluções que permitam melhorar a relação entre o Estado e os cidadãos.
Entre os principais problemas identificados destaca-se a demora excessiva na tramitação de processos administrativos. De acordo com a Provedoria, muitos cidadãos aguardam durante meses e, nalguns casos, durante anos, por uma resposta das instituições públicas às suas petições, reclamações ou pedidos.
Felismina Muhacha alertou que esta situação fragiliza a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado e prejudica o acesso a direitos fundamentais.
A responsável recordou ainda que, embora a legislação moçambicana preveja a figura do indeferimento tácito após 25 dias sem resposta, esse mecanismo não isenta os órgãos públicos da obrigação de responder formalmente aos pedidos apresentados pelos cidadãos.
O diagnóstico aponta igualmente para o incumprimento recorrente da Lei do Direito à Informação.
Segundo a Provedoria, continuam a existir instituições públicas que recusam fornecer informações de interesse público ou simplesmente ignoram os pedidos apresentados pelos cidadãos.
Em diversos casos, os requerentes são obrigados a apresentar justificações excessivas para obter informações a que têm direito. Noutras situações, são invocados de forma inadequada argumentos relacionados com segredo de Estado ou segredo de justiça para impedir o acesso à informação.
Para a Provedoria de Justiça, esta prática limita a transparência da Administração Pública e dificulta a fiscalização da actuação das instituições pelos cidadãos.
Problemas salariais e de gestão continuam a afectar funcionários públicos
O relatório denuncia igualmente irregularidades relacionadas com a gestão dos recursos humanos na Administração Pública.
Entre os problemas identificados constam:
atrasos no pagamento de salários;
dificuldades na implementação da Tabela Salarial Única (TSU);
atraso no pagamento de pensões;
demora na atribuição de subsídios de morte, funeral, início de funções e adaptação;
irregularidades em processos disciplinares;
problemas em concursos públicos e processos de contratação;
nomeações efectuadas sem o devido visto do Tribunal Administrativo;
deficiente gestão de recursos humanos;
má conservação de processos administrativos.
Segundo a Provedoria, estas situações têm impacto directo na motivação dos funcionários públicos e na qualidade dos serviços prestados aos cidadãos.
Apelo a reformas para melhorar a governação
Durante a apresentação do diagnóstico, Felismina Muhacha defendeu a necessidade de uma reflexão conjunta entre as instituições do Estado e a sociedade para encontrar soluções duradouras que fortaleçam a boa governação.
A responsável sublinhou que as reclamações recebidas pela Provedoria não representam apenas casos isolados, mas revelam padrões repetitivos de funcionamento que exigem reformas estruturais na Administração Pública.
O diagnóstico pretende servir como instrumento de apoio às instituições públicas na adopção de medidas que reforcem a transparência, a eficiência administrativa, a prestação de contas e o respeito pelos direitos dos cidadãos.
A divulgação deste documento acontece num momento em que cresce o debate nacional sobre a necessidade de modernizar a Administração Pública, reduzir a burocracia e garantir um serviço público mais eficiente, transparente e orientado para as necessidades da população.
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