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TRÊS CAPITÃES, TRÊS HISTÓRIAS, UM LEGADO: MEXER, DOMINGUEZ E REINILDO DESPEDEM-SE DOS MAMBAS

 A Selecção Nacional de Futebol vive um momento simbólico e pesado de significado. Três dos seus rostos mais marcantes, três referências técnicas e emocionais, dizem adeus à camisola que carregaram com orgulho nos relvados de África e do mundo. Mexer Sitoe, Elias Gaspar Pelembe “Dominguez” e Reinildo Mandava decidiram encerrar o ciclo ao serviço dos Mambas, deixando claro que foi bom enquanto durou, mas que chegou a hora de abrir espaço à nova geração.

A despedida não é apenas estatística. É histórica. Estamos a falar de três capitães, líderes dentro e fora do campo, homens que sustentaram a selecção em fases boas e más, quando ganhar era festa e perder era resistência.

MEXER SITOE – O PATRÃO DA DEFESA

Formado no Desportivo de Maputo, Mexer Sitoe construiu uma carreira sólida sobretudo no futebol português, com destaque para o Nacional da Madeira, Boavista e Vitória de Guimarães, passando ainda por experiências fora de Portugal. Central de leitura apurada, forte no jogo aéreo e com saída de bola segura, tornou-se durante anos o verdadeiro patrão da defesa moçambicana.

Pelos Mambas, Mexer foi mais do que um defesa: foi capitão, referência e voz de comando. Esteve presente em várias campanhas de qualificação para o CAN e marcou uma era em que a selecção voltou a ser competitiva, organizada e respeitada. A sua longevidade explica-se pela disciplina, profissionalismo e compromisso com a camisola nacional.

DOMINGUEZ – TALENTO, CLASSE E IDENTIDADE

Elias Gaspar Pelembe, o eterno Dominguez, é sinónimo de talento puro no futebol moçambicano. Médio de vocação ofensiva, dono de uma técnica fina, visão de jogo acima da média e remate fácil, construiu uma carreira de grande impacto sobretudo na África do Sul, onde brilhou no Mamelodi Sundowns e noutros emblemas de topo.

Dominguez foi durante anos o cérebro dos Mambas. O homem que segurava a bola quando o jogo pedia calma, que rasgava defesas quando faltava imaginação. Também ele assumiu a braçadeira de capitão, carregando a selecção em momentos decisivos. É, a par de Mexer, um dos jogadores mais experientes e mais velhos do combinado nacional, e sai como entrou: com respeito e admiração geral.

REINILDO MANDAVA – DO BAIRRO AO MUNDO

Reinildo Mandava representa a nova escola que já virou exemplo. Lateral e central canhoto, formado no Ferroviário da Beira, deu o salto para a Europa e construiu uma carreira de alto nível, com passagens marcantes por Portugal, França e Espanha, destacando-se no Lille, com quem conquistou títulos históricos, e mais tarde no Atlético de Madrid.

Pela selecção, Reinildo trouxe intensidade, agressividade positiva e mentalidade competitiva. Evoluiu de jovem promissor a líder silencioso, assumindo também o estatuto de capitão. A sua trajectória prova que o futebol moçambicano pode formar jogadores capazes de competir ao mais alto nível mundial.

FIM DE UM CICLO, INÍCIO DE OUTRO

A saída de Mexer, Dominguez e Reinildo encerra um capítulo importante da história dos Mambas. Abre-se agora uma oportunidade clara para a descoberta de novos talentos e, sobretudo, para uma reflexão séria sobre a formação interna de jogadores, para que o país volte a produzir atletas capazes de atingir patamares iguais ou superiores aos deste trio.

Não há drama. Há realidade. O futebol é ciclo. Eles cumpriram. Honraram a bandeira. Agora passam o testemunho.

Emuel Moisés

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Emuel Moisés
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