O Chefe do Estado falava na abertura da Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África, realizada em Maputo, por ocasião do Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, assinalado a 13 de Outubro.
Na sua intervenção, Chapo explicou que os comités actuam directamente nas comunidades, divulgando avisos de risco em línguas locais, utilizando megafones e rádios comunitárias para informar as populações e facilitar a retirada atempada das zonas ameaçadas.
O Presidente considerou que o trabalho destes grupos constitui um elemento central na redução dos impactos das calamidades no país, destacando o envolvimento de homens e mulheres que permanecem no terreno durante as situações de emergência.
Para ilustrar a importância da prevenção, o Chefe do Estado comparou as consequências das cheias de 2000 com as registadas no início de 2026. Segundo os números apresentados no discurso, Moçambique perdeu mais de 700 pessoas nas cheias de 2000, enquanto as cheias de 2026 terão provocado menos de 200 mortes, apesar da sua magnitude.
Chapo lamentou, contudo, a perda de vidas humanas e defendeu que o objectivo deve ser evitar mortes, mediante o reforço dos sistemas de aviso prévio, a preparação das comunidades e a retirada antecipada das populações das zonas de risco.
O governante alertou ainda para a resistência de algumas pessoas em cumprir as orientações de segurança, mesmo quando são emitidos avisos sobre ventos fortes, cheias ou inundações. Segundo afirmou, a permanência em locais ameaçados pode comprometer os esforços das equipas de prevenção e aumentar o risco de mortes.
Relatório continental revela dimensão dos desastres
Durante a cerimónia, Daniel Chapo procedeu ao lançamento do quarto Relatório Bienal de África sobre a Redução do Risco de Desastres, referente à implementação do Programa de Acção do Quadro de Sendai no período 2023-2024.
De acordo com os dados apresentados pelo Presidente, as cheias, os ciclones tropicais e as secas representaram cerca de 90% dos danos provocados por desastres em África durante o biénio em análise.
O relatório indica que o número de ocorrências aumentou de 612 para 738 eventos, que causaram mais de 74 mil mortes, afectaram cerca de 64 milhões de pessoas e provocaram perdas económicas superiores a 8 mil milhões de dólares norte-americanos.
Perante este cenário, Chapo defendeu o reforço da cooperação entre os países africanos, a modernização dos sistemas de aviso prévio e o investimento em infra-estruturas resilientes, considerando que a prevenção deve ocupar uma posição central nos planos de desenvolvimento.
Presidente pede justiça climática e financiamento
O Chefe do Estado apelou igualmente ao reforço do financiamento climático e da justiça climática, argumentando que Moçambique, apesar da sua reduzida contribuição para a poluição global, enfrenta riscos elevados devido à sua localização geográfica e à exposição a fenómenos climáticos extremos.
Chapo manifestou preocupação com a demora na disponibilização dos apoios internacionais prometidos para responder às calamidades e financiar a reconstrução, considerando que os atrasos dificultam os esforços dos países afectados.
O Presidente defendeu que a conferência deve produzir soluções práticas, ultrapassando o debate e avançando para medidas concretas de prevenção, mobilização de recursos e reforço da resiliência das comunidades africanas.
Ao reconhecer o papel dos comités locais, apelou também aos profissionais da comunicação social para que acompanhem o trabalho desenvolvido por estes grupos durante as emergências, de modo a dar visibilidade às acções de prevenção e salvamento de vidas.
Na conclusão da sua intervenção, Daniel Chapo declarou lançado o quarto relatório bienal africano sobre a redução do risco de desastres e aberta a Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África.
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