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DESVIO DE DONATIVOS LEVA ADMINISTRADORA DISTRITAL E OUTROS DIRIGENTES À PRISÃO EM XAI-XAI

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou a detenção de três dirigentes públicos, no âmbito de um alegado desvio de donativos destinados às vítimas das cheias, num caso que está a gerar forte indignação pública na província de Gaza. O prejuízo preliminar é estimado em cerca de 350 mil meticais.

A investigação teve início por volta das 13 horas de domingo, na sequência de averiguações realizadas nos armazéns do Governo Distrital de Xai-Xai, onde estariam armazenados produtos alimentares e bens diversos doados para assistência às famílias afectadas pelas recentes cheias.

Segundo informações confirmadas pelo SERNIC, cerca das 22 horas de segunda-feira foram detidas e conduzidas às celas da prisão preventiva da 2.ª Esquadra de Xai-Xai as cidadãs Argelência Chissano, administradora distrital, e Dora Artur, chefe do gabinete da governadora provincial e, simultaneamente, fiel de armazém. Ambas são indiciadas pelo alegado desvio de produtos alimentares pertencentes ao stock de ajuda humanitária.

Fontes próximas do processo indicam que os donativos terão sido retirados dos armazéns sem autorização legal e desviados do seu fim original, que era o apoio directo às vítimas das inundações que afectaram vários bairros do distrito.

Entretanto, o caso ganhou uma nova dimensão com a detenção de um terceiro suspeito no Governo Distrital de Chibuto. Trata-se igualmente de um fiel de armazém, detido em conexão com o mesmo esquema, segundo apurou a TV Sucesso junto de fontes da investigação.

O porta-voz do SERNIC em Gaza, Zaqueu Mucambe, confirmou as detenções e esclareceu que o processo se encontra em fase instrutória. “Decorrem neste momento os trâmites legais com vista ao esclarecimento total do caso, bem como à identificação e responsabilização de outros possíveis envolvidos”, afirmou.

As autoridades não afastam a possibilidade de o esquema envolver mais funcionários públicos e outros intermediários, uma vez que estão a ser analisados registos de entrada e saída de produtos, bem como procedimentos administrativos ligados à gestão dos donativos.

O caso ocorre num contexto particularmente sensível, em que milhares de famílias afectadas pelas cheias dependem de ajuda humanitária para a sua sobrevivência. Analistas e organizações da sociedade civil consideram o alegado desvio de donativos um acto de elevada gravidade moral e legal, por colocar em causa a confiança pública e agravar o sofrimento das populações vulneráveis.

O SERNIC garante que as investigações prosseguem e reafirma o compromisso de combater com firmeza crimes que atentem contra o interesse público, sobretudo em situações de calamidade, onde a transparência e a responsabilidade na gestão de recursos são consideradas fundamentais.

Emuel Moisés

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Emuel Moisés

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