EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DEVE SER INSTRUMENTO DE JUSTIÇA SOCIAL E UNIDADE NACIONAL, DEFENDE SAMARIA TOVELA
A Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, defendeu, esta quarta-feira (16 de Setembro de 2026), na Cidade de Maputo, que a Educação a Distância deve ser encarada como um vetor fundamental de justiça social, coesão territorial, capacitação do capital humano e consolidação da unidade nacional em Moçambique.
A governante discursava durante a sessão de abertura da IV Conferência Nacional de Educação a Distância, um encontro de três dias que reúne reitores, directores-gerais de instituições de Ensino Superior, académicos, gestores e quadros seniores do sector da Educação e Cultura.
“A distância entre uma comunidade e uma instituição de ensino não pode transformar-se numa distância entre essa comunidade e o conhecimento”, vincou a Ministra Samaria Tovela perante a plateia.
Resiliência perante intempéries e choques externos
Na sua intervenção, a titular da pasta da Educação e Cultura deu forte ênfase ao papel estratégico da modalidade de ensino à distância no reforço da resiliência do sistema educativo moçambicano, num país ciclicamente afetado por eventos climáticos extremos.
“Moçambique enfrenta ciclones, cheias, retirada da população de um lugar para o outro, emergências sanitárias e outras situações que podem interromper a educação presencial. Resiliência não significa improvisar durante a crise. Significa possuir, antes dela, conteúdos preparados, profissionais capacitados, plataformas funcionais, alternativas de baixa conectividade e sistemas de apoio capazes de assegurar a continuidade da aprendizagem”, sustentou.
Crescimento expressivo das matrículas e programas
O progresso da modalidade em Moçambique reflete-se na evolução consistente dos seus indicadores ao longo dos últimos anos:
- Expansão histórica (2014-2021): O número anual de estudantes matriculados em programas de Educação a Distância mais do que duplicou no país, saltando de 83.861 para 172.683 alunos. No mesmo período, a oferta curricular expandiu-se de 45 para 129 cursos e programas de formação.
- Ensino Secundário (Dados de 2026): Os dados administrativos mais recentes indicam que os dois ciclos do Programa de Ensino Secundário a Distância contabilizam atualmente 77.667 alunos inscritos no país.
- Ensino Superior (Dados preliminares de 2025): A modalidade atinge 75.200 estudantes nas universidades e institutos superiores, o equivalente a 26,6% do universo total de alunos do ensino superior nacional.
“Mais do que números, estes dados representam jovens, mulheres, trabalhadores e cidadãos que encontraram na Educação a Distância uma possibilidade concreta de continuar a aprender e de transformar as suas vidas”, sublinhou a governante.
A IV Conferência Nacional de Educação a Distância prolonga-se até ao dia 18 de Setembro sob o lema: “Educação a Distância como Pilar do Desenvolvimento Sustentável, da Inclusão, da Resiliência e da Qualidade”, servindo de palco para debates estratégicos sobre inovação pedagógica, tecnologias de informação e inclusão educacional no território nacional.