Governo aposta na industrialização do sector energético e na expansão do gás natural veicular para proteger a economia nacional das oscilações do mercado internacional de combustíveis
Moçambique prepara-se para dar um passo estratégico rumo ao fortalecimento da sua soberania energética. O Governo anunciou, esta sexta-feira (29), a construção de novas refinarias de combustíveis nas cidades de Maputo e da Beira, numa iniciativa que visa reduzir a vulnerabilidade do país às constantes flutuações dos preços internacionais do petróleo e aos efeitos dos conflitos geopolíticos que afectam os mercados globais.
O anúncio foi feito pelo Porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, durante uma conferência de imprensa dedicada à análise da actual situação económica, política e social do país.
A decisão surge num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos armados e instabilidade em importantes rotas de abastecimento energético, factores que têm provocado sucessivos aumentos dos custos de importação de combustíveis em diversas economias dependentes do exterior, incluindo Moçambique.
Segundo Impissa, a implantação das refinarias em dois dos principais corredores logísticos do país permitirá aumentar a capacidade nacional de processamento de combustíveis, reduzir custos operacionais associados à importação de produtos refinados e fortalecer a segurança energética nacional.
A escolha de Maputo e Beira não é casual. Enquanto a capital do país concentra uma significativa actividade económica e industrial, a cidade da Beira representa um dos mais importantes pontos de entrada e distribuição de combustíveis para o centro do país e para vários mercados da região da África Austral.
Além da aposta nas refinarias, o Executivo pretende acelerar a massificação do uso do gás natural veicular (GNV), aproveitando as vastas reservas de gás existentes no território nacional. A medida é vista como uma alternativa sustentável e economicamente vantajosa para reduzir a pressão sobre a procura de combustíveis líquidos importados.
Especialistas do sector energético têm defendido que a expansão do uso do gás natural nos transportes poderá gerar poupanças significativas para consumidores e empresas, ao mesmo tempo que contribui para a redução das emissões poluentes e para uma melhor valorização dos recursos naturais moçambicanos.
A estratégia enquadra-se nos esforços do Governo para transformar Moçambique num polo energético regional, aproveitando o potencial dos seus recursos naturais para impulsionar a industrialização, criar empregos e fortalecer a balança comercial.
Durante a mesma conferência de imprensa, Inocêncio Impissa anunciou igualmente que o Governo vai disponibilizar cerca de 700 milhões de meticais para a reconstrução de infra-estruturas públicas destruídas durante as manifestações pós-eleitorais registadas em várias regiões do país.
Os fundos serão direccionados para a recuperação de escolas, unidades sanitárias, edifícios administrativos e outras infra-estruturas consideradas essenciais para a prestação de serviços públicos às comunidades afectadas.
A combinação entre investimentos na segurança energética e na reconstrução de infra-estruturas reflecte, segundo o Executivo, a prioridade de consolidar a estabilidade económica e social, criando condições para o crescimento sustentável e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
Com estas medidas, o Governo procura não apenas responder aos desafios imediatos provocados pelas turbulências internacionais e pelos impactos internos das manifestações, mas também lançar as bases para uma economia mais resiliente, menos dependente das importações energéticas e mais preparada para enfrentar os desafios do futuro.
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