O basquetebol da província de Nampula está mergulhado numa onda de polémica depois de o presidente da Associação Provincial de Basquetebol de Nampula, Albino Dimene, ter alegadamente ordenado a retirada das tabelas do pavilhão do Ferroviário de Nacala, equipamento que, segundo fontes ligadas ao processo, teria sido adquirido com fundos próprios durante o seu longo mandato.
A situação ganhou dimensão nas últimas horas após imagens e relatos começarem a circular nas redes sociais, provocando fortes reacções entre desportistas, treinadores, antigos atletas e amantes da modalidade. A tensão aumentou ainda mais devido às informações de que as tabelas instaladas no pavilhão do Ferroviário de Nampula também poderão ser removidas.
Albino Dimene dirigiu a Associação Provincial de Basquetebol de Nampula durante 22 anos consecutivos, tornando-se uma das figuras mais influentes do basquetebol na região norte do país. Contudo, a sua intenção de voltar a candidatar-se à presidência da associação acabou travada pela nova Lei do Desporto, que estabelece limites de mandatos para dirigentes desportivos.
Fontes locais apontam que a decisão de retirar os equipamentos terá surgido pouco tempo depois da inviabilização da sua candidatura, facto que muitos interpretam como um gesto de protesto silencioso, mas com impacto directo sobre os jovens praticantes da modalidade.
Nos corredores desportivos de Nampula, o ambiente é descrito como “explosivo”. Há quem defenda que Dimene tem direito de recuperar materiais adquiridos com recursos pessoais, enquanto outros consideram que os equipamentos já faziam parte do património moral e funcional do basquetebol provincial, independentemente da origem dos fundos.
Entretanto, a polémica acabou por mobilizar o governador da província de Nampula, Salimo Abdula, popularmente conhecido por Tio Salim. O governante reagiu rapidamente após a divulgação do caso e anunciou que serão adquiridas novas tabelas para garantir a continuidade da prática de basquetebol nos pavilhões afectados.
A intervenção de Tio Salim foi recebida com entusiasmo por jovens atletas e agentes desportivos, sobretudo num momento em que muitos temiam a paralisação de actividades competitivas e de formação em alguns recintos.
“Os jovens não podem pagar pela polémica dos dirigentes”, comentou um treinador local ouvido por fontes desportivas em Nampula, acrescentando que o importante neste momento é preservar os espaços de prática desportiva e evitar que o conflito afaste novos talentos da modalidade.
Nas redes sociais, o debate continua intenso. Alguns internautas acusam Albino Dimene de colocar interesses pessoais acima do desenvolvimento do basquetebol, enquanto outros recordam os investimentos e o trabalho realizado ao longo das últimas duas décadas à frente da associação provincial.
O caso volta também a lançar discussão sobre a transição de liderança nas organizações desportivas moçambicanas e os efeitos da aplicação da nova legislação, que pretende renovar os quadros dirigentes e limitar permanências prolongadas no poder.
Enquanto a controvérsia aquece em Nampula e Nacala, jogadores e adeptos aguardam pelos próximos capítulos de um episódio que já ultrapassou as quatro linhas e transformou o basquetebol provincial num dos temas mais comentados do momento.
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