Numa altura em que Moçambique enfrenta desafios cada vez mais complexos no combate ao crime organizado, terrorismo, tráfico de drogas e crimes cibernéticos, o Procurador-Geral da República, Américo Letela, lançou oficialmente, esta quinta-feira (29), o I Curso Básico de Agentes de Investigação Criminal, numa cerimónia realizada no Posto Administrativo da Moamba, província de Maputo.
A iniciativa surge como um marco na profissionalização do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), abrindo caminho para a formação de uma nova geração de investigadores preparados para responder às actuais dinâmicas da criminalidade moderna, marcada pela sofisticação tecnológica e pela actuação silenciosa de redes criminosas transnacionais.
Durante o acto, Américo Letela destacou que a formação representa uma aposta estratégica no fortalecimento da capacidade operativa do Estado moçambicano, defendendo que o combate ao crime exige profissionais tecnicamente qualificados, disciplinados e comprometidos com os princípios da legalidade.
Segundo afirmou, o investigador criminal contemporâneo já não pode depender apenas da experiência empírica ou da intuição. Para o Procurador-Geral, os desafios actuais impõem agentes com domínio das metodologias investigativas, capacidade de análise de inteligência criminal, conhecimentos tecnológicos avançados e profundo respeito pelos direitos humanos.
“É precisamente neste contexto que a formação inicial dos agentes de investigação criminal assume uma importância estratégica”, sublinhou Letela perante os formandos e convidados presentes na cerimónia.
Num discurso marcado por forte simbolismo institucional, o PGR recordou aos futuros agentes que o distintivo do SERNIC representa responsabilidade e dever patriótico, e não privilégios pessoais. A sua intervenção desenhou o perfil de um agente preparado para actuar em cenários complexos, enfrentando com coragem, disciplina e ética as ameaças que colocam em risco a estabilidade social e a segurança do Estado.
Américo Letela enfatizou igualmente que a eficácia da investigação criminal deve caminhar lado a lado com o respeito pela Constituição da República, pela integridade institucional e pela dignidade da pessoa humana, alertando que o combate ao crime não pode ocorrer à margem da lei.
A expectativa das autoridades é que, no final do curso, os novos investigadores estejam preparados para enfraquecer redes criminosas, limitar a sua influência social e reduzir a sua capacidade de reorganização e expansão.
Por sua vez, o Director-Geral do SERNIC, Ilídio Miguel, considerou que o curso inaugura um novo ciclo de profissionalização da investigação criminal no país, com especial enfoque na componente prática e operacional da formação.
Já Naldo Ngoca, intervindo em representação do Secretário de Estado da Província de Maputo, classificou a iniciativa como um marco histórico para o fortalecimento da investigação criminal em Moçambique, apelando aos formandos para assumirem com responsabilidade a missão de garantir a legalidade, a segurança pública e a protecção dos cidadãos.
A cerimónia decorreu num ambiente marcado por expectativa e simbolismo, reflectindo a aposta das instituições da justiça na construção de um SERNIC mais preparado para responder às novas formas de criminalidade que desafiam o país e a região.
Importa destacar que o curso integra 224 formandos provenientes de diferentes pontos do país, dos quais 124 são mulheres e 100 homens, seleccionados no âmbito do concurso público realizado em 2023.
A formação será desenvolvida em duas fases distintas. A primeira será teórica, centrada na consolidação de conhecimentos técnico-científicos e jurídicos, enquanto a segunda será prática, com foco na defesa pessoal, actuação operacional e gestão de cenários de risco.
Com esta iniciativa, o Estado moçambicano procura consolidar uma investigação criminal mais moderna, profissional e alinhada com os desafios contemporâneos da segurança pública, num contexto em que o combate ao crime exige não apenas vigilância, mas também inteligência, ética e preparação técnica.
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